Opeth: Åkerfeldt admite que foi egoísta ao fazer In Cauda Venenum sozinho
Por Igor Miranda
Fonte: Premier Guitar
Postado em 07 de novembro de 2019
O vocalista e guitarrista do Opeth, Mikael Åkerfeldt, afirmou ao Premier Guitar que foi "muito egoísta" ao assumir toda a criação do álbum mais recente da banda, "In Cauda Venenum". O trabalho, que tem versões com letras em inglês e em sueco, foi composto totalmente por seu frontman.
"Desta vez, fui muito egoísta e pensei apenas em mim, noq ue eu queria apresentar. Não tive contribuições dos outros caras da banda. Queria que fosse o mais próximo possível do meu gosto pessoal. É como eu quero apresentar o Opeth em 2019 e 2020. O objetivo, eu acho, era ficar um pouco mais egoísta (risos). E acho que consegui", afirmou.
Åkerfeldt destacou que o outro objetivo de "In Cauda Venenum" era transformá-lo "no disco mais emocional de todos". "Queria um álbum que tocasse mais o coração do que os anteriores", comentou.
O frontman disse que não gosta de ver o Oepth "se repetindo". "Se eu perceber que não evoluímos em comparação ao álbum anterior, eu apago e começo de novo. Porém, o mais importante é que esteja bom. Não precisa ser completamente diferente do trabalho anterior. Se for excelente, eu mantenho. Mas eu quero seguir em frente, para grande frustração de alguns fãs", pontuou.
Para obter todo esse progresso, Mikael Åkerfeldt não coloca muita pressão em seu trabalho. "Assim que começo a compor, trabalho todos os dias e não me estresso tanto se não conseguir algo em um dia. Sigo em frente rapidamente e tomo decisões rapidamente. Essas decisões podem significar que eu apago material porque não quero preservar m*rda. Se não é bom o bastante, descarto para sempre, para não poder voltar e ver o que fiz", afirmou.
"In Cauda Venenum" foi um pouco diferente dos demais, também, por ter sido originado a partir de um período "sabático" do músico. "Após a última turnê, decidi tirar uma pausa de tudo e não ser o cara do Opeth, mas, sim, ser apenas eu. Mas fiquei inquieto. Três, quatro semanas depois desse período sabático, fui trabalhar no estúdio. O bom é que ninguém sabia que eu estava lá. A banda, os empresários e a gravadora não sabiam. Não os avisei até ter três ou quatro músicas", disse.
Por ter sido composto em quantidade mínima (ou zero) de estresse, "In Cauda Venenum" superou as expectativas do frontman do Opeth. "Foi divertido. Eu me diverti muito, ao ponto de quase não conseguir parar de compor. Acabamos com o nosso álbum mais longo até hoje, além de três faixas bônus", afirmou.
In Cauda Venenum
Gravado entre novembro de 2018 e janeiro de 2019 no Park Studios, em Estocolmo, Suécia, "In Cauda Venenum" apresenta duas versões, com letras em inglês e em sueco. São 10 músicas no total, contando com uma faixa instrumental de introdução.
Em entrevista recente ao podcast "Scars And Guitars", o guitarrista Fredrik Åkesson disse que o objetivo do álbum "In Cauda Venenum" (cujo título é uma expressão em latim que, traduzida, significa "veneno na cauda") era "soar o mais épico possível". Segundo o músico, o fato de o vocalista Mikael Åkerfeldt ter composto o disco inicialmente em sueco foi uma "força motriz" para que ele concluísse as canções.
"Acho que isso fez com que o álbum ficasse mais interessante - ou desafiador, talvez - para ele (Mikael)", disse Fredrik. "Ensaiamos antes mesmo de entrar no estúdio. Não fazíamos isso desde 'Watershed' (2008)", completou.
O guitarrista destacou, ainda, que o vocalista e principal compositor da banda não liga muito para a forma que as pessoas reagem às suas músicas. "Ele gosta de liberdade artística, assim como a banda. A gravadora não diz o que devemos fazer. Sempre foi assim no Opeth. Se fizéssemos 'Blackwater Park' (2001) várias e várias vezes, ficaríamos estagnados. Mas ainda curtimos tocar essa época ao vivo e algum dia Mikael pode trazer os vocais guturais de volta de novo, quem sabe?", pontuou.
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