Scorpions: a aberta biografia de Herman Rerebell
Por Mário Pescada
Fonte: 80 Minutos
Postado em 29 de dezembro de 2019
Em "Minha história em uma das maiores bandas de todos os tempos", Herman Josef Erbel ou Herman Rarebell (nome artístico adotado uma vez que os ingleses não conseguiam pronunciar corretamente Erbel), relata de forma bem aberta como foram seus quase vinte anos como baterista do SCORPIONS.
O título até pode soar megalomaníaco, mas quando lembramos de toda história e influência do SCORPIONS para o hard rock/heavy metal, ele faz todo sentido e, sem dúvida, Herman foi um pilar importante na construção do nome do grupo.
Antes de falar mais do livro, é importante avisar ao leitor, principalmente aquele fã que procura por detalhes mínimos, para ir com calma: Herman não entra em minúcias, como datas, processos pormenorizados das gravações dos discos, assuntos discutidos em reuniões, etc. A sua história na banda é passada álbum a álbum, mas de uma forma mais superficial, o que pode decepcionar os mais detalhistas, mas sem comprometer o resultado final do livro.
Herman começa pela sua infância na Alemanha onde iniciou suas batucadas nas panelas da sua casa - para desespero dos seus pais, sua adolescência onde decidiu formar sua própria banda após ouvir LED ZEPPELIN (e para conseguir garotas, fixação sua em todo livro), depois seu começo como baterista contratado de estúdio, já na Inglaterra até sua entrada no SCORPIONS, graças aos irmãos Rudolph e MICHAEL SCHENKER, apesar de deixar claro que achava a banda fraca até então.
Daí em diante, os capítulos passam por cada disco seu na banda, narrando episódios como a saída de ULI JON ROTH, as gravações do seu primeiro disco na banda "Taken By Force" (1977) onde criou o hit "He´s a Woman - She´s a Man", a tensa fase da cirurgia nas cordas vocais de KLAUS MEINE durante as gravações do disco "Blackout" (1982), os rumores de que não teria tocado as partes de bateria em "Love At First Sting" (1984), "Crazy World" (1990) e o mega hit "Wind Of Change", o show no Rock In Rio em 1984 para 500 mil pessoas e a grande quantidade de mulheres que entravam e saiam da sua suíte, etc.
E quando o assunto é mulher...Herman não poupa detalhes. Suas aventuras com groupies do mundo todo são abordados naturalmente, o que pode fazer com que hoje ele seja taxado de sexista, porém, todo epílogo do livro ele usa para se desculpar pelo seu comportamento inadequado e numa atitude bem honrosa, pedir perdão a suas ex-mulheres e filha pelos seus erros passados, incluindo também o uso de cocaína e álcool.
Sempre bem-humorado, em quase TODAS as páginas ele faz alguma piada ou trocadilho. Algumas vezes isso cansa ou nem soa tão engraçado, mas no geral, ajuda a deixar a leitura mais leve. Afinal, como dito em determinada trecho, "o objetivo desse livro é entreter, divertir e celebrar uma grande banda".
Apesar do bom humor, sobram algumas cutucadas: ao show business com sua relação nem sempre limpa entre agentes, gravadoras e artistas, em PETER FRAMPTON e no GIRLSCHOOL, no Hall Of Fame (que ele chama de "Hall da Vergonha do Rock And Roll"), em ex-integrantes que ficam usando o nome das suas ex-bandas depois de anos e mesmo no SCORPIONS, apesar de jurar que sua saída foi de forma amigável e diplomática após o disco "Face The Heat" (1993), entre outras.
O prefácio do livro ficou a cargo de Bruno Sutter, o Detonator, do MASSACRATION.
Discografia do SCORPIONS com Herman nas baquetas:
Taken By Force (1977)
Tokyo Tapes (1978)
Lovedrive (1979)
Animal Magnetism (1980)
Blackout (1982)
Love At First Sting (1984)
World Wide Live (1985 ao vivo)
Savage Amusement (1988)
Crazy World (1990)
Face The Heat (1993)
Live Bites (1995 ao vivo)
Título: Scorpions - Minha História em uma das Maiores Bandas de Todos os Tempos
Editora: Panda Books
Páginas: 280
Ano: 2012
Preço médio: R$ 16,00
Nota: 8
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