Nervosa: "Natural não sossegarem até criarem teorias", diz Fernanda sobre saída
Por Igor Miranda
Postado em 30 de maio de 2020
As saídas da vocalista e baixista Fernanda Lira e da baterista Luana Dametto da Nervosa, anunciadas no mesmo dia no fim de abril, chamou atenção de muitos fãs. A forma como a novidade foi divulgada e o fato de a banda estar em ascensão, além de não ter sido citado nenhum motivo mais específico para o rompimento, fez com que a notícia pegasse muita gente de surpresa.
Menos de um mês depois, a Nervosa anunciou uma nova formação, com a vocalista Diva Satanica (Bloodhunter), a baixista Mia Wallace (Abbath, Triumph of Death) e a baterista Eleni Nota (Mask of Prospero), além da guitarrista Prika Amaral; e um novo projeto de death metal com Fernanda Lira e Luana Dametto foi divulgado: a Crypta, com as guitarristas Sonia Anubis (Burning Witches, Cobra Spell) e Tainá Bergamaschi (Hagbard).
Dessa forma, muitas pessoas criaram teorias das mais variadas para tentar explicar o porquê das saídas da Nervosa. Em entrevista ao site Metal na Lata, Fernanda Lira revelou compreender que existe uma necessidade coletiva de que rompimentos de bandas precisam ser "tumultuados", na base da porrada e em ódio recíproco entre ex-colegas, mas que não foi o caso do antigo trio.
"Acho que é primeiramente tão difícil (as pessoas entenderem que a vida segue e que nem sempre rompimentos são movidos ao ódio) pelo próprio formato em que a nossa sociedade vem sendo moldada. Nas novelas, filmes, abordagem das notícias em alguns programas de TV, por exemplo - na maioria das vezes tudo é apresentado de maneira caótica, presa a círculos e tendências pra causarem grandes comoções. É treta na novela, são romances impossíveis e separações trágicas para fazer a gente chorar nos filmes, é sensacionalismo na TV e notícias. Tudo baseado na premissa de causar comoção", afirmou ela, inicialmente.
Em seguida, Fernanda aponta um ponto negativo desse tipo de pensamento. "Esse tipo de abordagem, na minha opinião, às vezes acaba viciando quem consome aquilo, ou seja, todos nós, em níveis diferentes. Então naturalmente acabamos tendo uma tendência a preferir e até reproduzir esses padrões que nos cercam o tempo todo. Nos sentimos desconfortáveis com relacionamentos brandos sem 'fortes emoções', não gostamos de um filme se não tem um fim apoteótico, damos mais importância a notícias negativas do que positivas, pois em muitas vezes a raiva, a indignação, liberam uma sensação mais bombástica no nosso corpo físico", disse.
A musicista comentou que, diante desse contexto, é natural que as pessoas criem teorias para explicar rompimentos como o da formação anterior da Nervosa. "Venho refletindo sobre esse estudo social há muito tempo e quando vi o pessoal criando essas conspirações, querendo 'lavação de roupa suja', só comprovou minha teoria (risos). É muito difícil para as pessoas que haja um término que não precise causar neles uma sensação de tragédia, e aí eu acho que é meio que natural as pessoas não sossegarem até criarem teorias ou acharem explicações que tenham esse impacto. Uma pena, pois não acho nada saudável para ninguém, mas não me surpreendeu em nada. Desde o começo da Nervosa ouvimos conspirações de todo tipo que você imaginar, então já imaginava que na separação não seria diferente", afirmou.
Em outro momento, ela reforçou que deixou a Nervosa devido a um desgaste natural e que a intenção em trabalhar com uma sonoridade mais death metal não teve nada a ver com isso, assim como também não houve "cansaço" com relação às turnês. "O que rolou foi um desgaste natural que costuma acontecer na maioria dos relacionamentos. É claro que fazer turnês é algo bastante cansativo, mas já tínhamos achado um equilíbrio em relação à quantidade e duração delas, o que fez com que estivesse cada vez mais confortável. Eu adoro estar na estrada e não vejo a hora de voltar, para ser bem sincera (risos). Então, esse definitivamente não foi um fator na minha decisão", disse.
Em seguida, completou, falando sobre o ponto entre thrash e death metal. "Quanto ao estilo, também não se aplica. Eu adoro o thrash metal da mesma maneira que curto death metal, mas tenho um carinho especial pelo thrash metal, pois foi o estilo que realmente me fez desenvolver um 'sangue no zóio' para ter uma banda mais séria e jamais comprometeria a principal premissa da Nervosa somente por uma eventual mudança de gosto. Faz parte do profissionalismo ao trabalhar com música saber dividir isso. Mesmo quando a Crypta ainda era um projeto paralelo, eu tinha inspiração para ambas as bandas e o que soava mais Thrash Metal, eu guardava para a Nervosa e o que era mais 'deathão', usava na Crypta. Por mais que todas passamos a escrever mais riffs e levadas death metal para a Nervosa, principalmente no 'Agony' (2016) e no 'Downfall of Mankind' (2018), a ideia principal era ainda se manter fiel ao thrash metal, porém com umas pitadas a mais de death metal", afirmou.
Leia a entrevista, na íntegra, no site Metal na Lata.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
O Monsters of Rock 2026 entregou o que se espera de um grande festival
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
Exausto das brigas, guitarrista não vê a hora de o Journey acabar de vez
O exagero de John Bonham que Neil Peart não curtia; "Ok, já chega!"
Angela Gossow afirma que Kiko Loureiro solicitou indenização por violação de direitos autorais
A música de guitarra mais bonita da história, segundo Brian May do Queen
Produção do Bangers Open Air conta como festival se adaptou aos headbangers quarentões
Alex Lifeson diz que primeiros ensaios do Rush com Anika Nilles não funcionaram tão bem
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
O álbum do Testament onde os vocais melódicos de Chuck Billy não funcionaram
Max Cavalera diz que tema de novo disco do Soulfly poderia render um filme
Paulo Ricardo lembra quando alucinação bizarra fez Tim Maia dar cano na Globo
Guitarrista Brian Ray conta como é ter Paul McCartney como patrão
Jimmy Page relembra a filosofia do Led Zeppelin diante das constantes críticas negativas


"Slave Machine", o novo álbum de estúdio da Nervosa, é lançado
À véspera do próximo álbum, Nervosa revela "Impending Doom", seu novo single; veja o clipe.
Prika Amaral explica por que a Nervosa precisou sair do Brasil
Quinze bandas brasileiras de Rock e Metal com mulheres na formação que merecem sua atenção
O Big Four do heavy metal brasileiro, de acordo com Mateus Ribeiro
A curiosa reação de Prika Amaral ao ouvir a voz de Lemmy Kilmister pela primeira vez
A missão de treinar a nova cantora da Nervosa: o trabalho de Mayara Puertas com Prika
A sincera opinião de Fernanda Lira sobre Prika Amaral assumir os vocais da Nervosa



