Marty Friedman revela por que recusou convite para voltar ao Megadeth em 2015
Por Igor Miranda
Postado em 16 de setembro de 2020
O guitarrista Marty Friedman falou sobre o motivo pelo qual recusou voltar ao Megadeth em 2015. O músico da formação clássica fez parte da banda entre 1990 e 2000, saindo após divergências artísticas com o líder, Dave Mustaine.
O convite para retornar veio no início de 2015, durante a feira NAMM daquele ano. Após as saídas de Chris Broderick (guitarra) e Shawn Drover (bateria), Dave Mustaine e o baixista David Ellefson conversaram com Marty Friedman e o baterista Nick Menza, que completa a formação clássica, mas não deu certo. Menza chegou a ensaiar com os "Daves", só que o projeto não foi adiante.
O Megadeth acabou sendo reformulado com Kiko Loureiro na guitarra e Chris Adler em modo provisório na bateria - ele foi substituído por Dirk Verbeuren após gravar o álbum "Dystopia" (2016). Marty Friedman e Nick Menza deram sequência a seus projetos e o baterista, infelizmente, morreu em 2016.
Fridman conversou a respeito da tentativa de reunião em entrevista para o livro "Rust In Peace: The Inside Story of the Megadeth Masterpiece", escrito pelo próprio Mustaine com colaboração de Joel Selvin e prólogo de Slash, do Guns N' Roses. De forma sincera, o guitarrista deixou claro que o motivo para sua recusa foi financeiro.
"Eu ficaria feliz em participar, mas não aceitaria menos dinheiro do que eu já faço atualmente. Moro no Japão há mais de 10 anos, cultivo uma carreira com sólidas recompensas. Estava ganhando dinheiro não só para mim, mas para toda a equipe e os empresários. Meu empresário está comigo há 15 anos. Tudo está sólido e de repente chega uma oferta do Megadeth", afirmou, inicialmente, em trecho apresentado pelo Blabbermouth.
O músico pontuou que não poderia aceitar uma oferta onde ganharia menos do que fatura atualmente. Além disso, ele comentou que o Megadeth "neste ponto atual, francamente, não parecia oferecer muito musicalmente".
"Dois membros (Chris Broderick e Shawn Drover) saíram naquela ocasião e, musicalmente, eu não tinha ouvido nada do que eles haviam feito juntos há um bom tempo. Não sabia o quão relevante estavam na indústria. Não era como se o Megadeth estivesse na ponta da língua das pessoas - pelo menos não no Japão", disse.
Com a carreira consolidada na Terra do Sol Nascente, Marty Friedman declarou que as pessoas pararam de relacioná-lo ao Megadeth e passaram a comentar sobre seus feitos no Japão. Além disso, ele afirmou que a banda é cada vez mais vista como um projeto solo de Dave Mustaine.
"Se fosse uma situação mais de banda e menos de apenas um cara, de Dave Mustaine, eu consideraria voltar por um pouco menos. Porém, no fim das contas, o Megadeth é muito Mustaine, pois foi assim que ele o planejou. Não sentia aquele tipo de camaradagem, o 'diamante de quatro homens', como nos Beatles, Kiss, Metallica... eu sentia que sairia em turnê e seria um grande sucesso de Mustaine. Se eu fosse fazer isso, não seria para perder dinheiro. Estou bem sozinho no Japão", afirmou.
Em outra entrevista, publicada pelo canal do Loudwire no YouTube e traduzida por Mateus Ribeiro para o Whiplash.Net, Dave Mustaine confirmou a versão de Marty Friedman e atribuiu sua recusa à questão financeira.
"Marty tem uma carreira de muito sucesso no Japão, onde ganha muito dinheiro. E essa é a parte em que achei um pouco estranha: ele disse que disse que teria que pagar toda a equipe dele enquanto estivesse fora em vez de pagar só ele mesmo. [...] E então, quando descobrimos que ele queria vender o merchandising dele, vender 'isso' e 'aquilo', e queria essa quantia louca de dinheiro, voar de primeira classe... eu falei à nossa gerência: 'não posso lidar com isso'", disse Mustaine.
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