AC/DC: nem o engenheiro de som do novo álbum sabia quem iria cantar ou tocar
Por Igor Miranda
Postado em 07 de outubro de 2020
Nos últimos anos, a formação do AC/DC permanecia um mistério. O vocalista Brian Johnson (com problema auditivo que seria permanente) e o baterista Phil Rudd (com pendências na Justiça) deram lugar a Axl Rose e Chris Slade, respectivamente, para a turnê do álbum "Rock or Bust" (2014), e muitos fãs se perguntaram quem continuaria na banda.
Ao fim da tour, em setembro de 2016, o baixista Cliff Williams também deixou o AC/DC, alegando que iria se aposentar. Todavia, algum tempo depois, surgiram rumores de que o AC/DC estava gravando um álbum. Quais seriam os músicos envolvidos?
A confirmação oficial só apareceu na semana passada, quando o site oficial da banda anunciou os retornos de Brian Johnson e Phil Rudd, além da "aposentadoria revogada" de Cliff Williams. Os dois se juntaram aos guitarristas Angus Young e Stevie Young para gravar um novo álbum.
Desde 2018, os fãs sabem, por meio de rumores, que o trio estava de volta ao AC/DC. E foi exatamente nesse período em que o engenheiro de som Mike Fraser descobriu qual a formação da banda naquele momento - especialmente o vocalista, já que várias especulações giravam em torno da presença de Axl Rose no disco.
Em entrevista ao podcast do site AC/DCFans.Net, com transcrição da Classic Rock, Fraser contou que só o avisaram quais músicos gravariam o novo álbum do AC/DC quando eles, de fato, chegaram ao Warehouse Studios, em Vancouver, no Canadá, onde os registros foram feitos. Ao que tudo indica, outros profissionais de estúdio também não sabiam, já que a ideia era manter segredo.
"Até onde eu sabia, Brian e Cliff haviam se aposentado e Phil tinha alguns problemas em sua terra natal, Nova Zelândia, então, quem sabia que ele teria permissão para sair do país?", afirmou.
No primeiro dia em estúdio, o engenheiro de som não fazia ideia do que iria acontecer. "Ninguém da banda havia chegado quando eu cheguei lá. Porém, vários profissionais técnicos já estavam", disse.
Um dos colegas de Mike Fraser foi o responsável por "dar a grande notícia" a ele. "Um dos técnicos perguntou se eu sabia o que estava rolando e eu falei que não, só sabia que estávamos ali e estávamos arrumando tudo. Então, ele falou: 'toda a banda está aqui, Brian, Cliff, Phil e Stevie, e eles estão prontos para detonar em outro disco'. Foi uma surpresa chocante e incrível", comentou.
As gravações duraram seis semanas e foram conduzidas pelo produtor Brendan O'Brien, o mesmo de "Black Ice" (2008) e "Rock Or Bust". O estúdio em Vancouver também foi utilizado nesses dois discos, bem como em "Stiff Upper Lip" (2000).
Ainda durante o bate-papo, Mike Fraser contou que Angus Young chegou para gravar o novo álbum com "muitas ideias e riffs e sem muitas músicas completas" - processo foi similar ao de "Rock or Bust", primeiro da banda sem Malcolm Young, falecido em 2017. "Ele e Malcolm fizeram várias músicas antes de Mal ficar doente e eventualmente morrer. Ele tem um tesouro de riffs e ideias e deve ter passado alguns anos polindo essas ideias", afirmou.
Cerca de três ou quatro músicas já estavam concluídas e precisavam apenas de ajustes, como algum refrão ou algo do tipo. "Mas, sim, basicamente esse material nasceu dos riffs que Angus e Mal fizeram ao longo dos anos. Só precisavam montar tudo. Passaram um dia ou dois fazendo isso e aí nós entrávamos. E tudo soa bem ao vivo no estúdio. O que você ouve é o que eles fizeram. Eles trabalham muito bem juntos", concluiu.
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