Ira!: por que eles não são pop rock - e o que os diferencia, segundo Scandurra
Por Igor Miranda
Fonte: Guitarload
Postado em 23 de janeiro de 2021
O Ira! é uma das grandes bandas surgidas no frutífero cenário do rock brasileiro na década de 1980. O guitarrista Edgard Scandurra refletiu sobre o grande êxito da trajetória da banda em entrevista exclusiva à revista Guitarload.
De acordo com Scandurra, o Ira! teve grandes méritos ao ter muita dedicação na construção de seus álbuns, não só nos singles que eram tocados nas rádios. Para ele, esse ponto é o grande diferencial deles em comparação a bandas do chamado pop rock nacional.
O assunto veio à tona após o guitarrista mencionar que o novo álbum da banda, autointitulado "Ira" e lançado em 2020, foi marcado por "uma grande preocupação com os timbres, com a qualidade do som". Segundo o músico, essa abordagem não é nova dentro do grupo.
"Mesmo nos anos 80 e 90, o Ira! criou um álbum como o 'Psicoacústica' (1988), por exemplo, que tem um som incrível. Sempre nos posicionamos como uma banda de rock e não como pop rock, embora as pessoas associem dessa forma", afirmou, inicialmente.
Ele completa: "Tem o sucesso, as músicas de rádio, mas uma banda de pop rock se preocupa muito com a sonoridade das músicas nas rádios. A gente se preocupou muito com os álbuns, como as pessoas iriam ouvir nossas músicas nos discos. Essa é nossa diferença nossa com muitas bandas, até mesmo aquelas que são tão boas ou até melhores do que a gente, com mais sucesso, álbuns bem gravados, mas compondo muito voltadas para a audição nas rádios".
De acordo com o guitarrista, fazer composições pensadas para as rádios "era uma característica dos anos 80". "Na época, fazíamos um disco e para ter uma audição final, pegávamos o pior aparelhinho que tinha no estúdio, para ouvir as músicas naquela caixinha, pequena, porque o produtor dizia: 'a maioria das pessoas ouve música em radinho de pilha'. Então, mixávamos pensando nesse pequeno falante", disse.
Por fim, ele aponta: "Fizemos assim em 'Mudança de Comportamento' (1985), 'Vivendo e Não Aprendendo' (1986), 'Psicoacústica', "Clandestino" (1990)... sempre tivemos essa preocupação com a sonoridade na vitrola, no CD, enfim".
Em outro momento, Edgard Scandurra falou sobre o processo de gravação de "Ira", o novo álbum da banda.
"O novo álbum não é só um punhado de músicas onde a qualidade da gravação não seria importante pela força das canções. Os dois pontos eram essenciais. Outra mudança está nos timbres de guitarra. Durante muitos anos, compus pensando muito no som da banda no geral. A guitarra ficava lá, acompanhando o som da banda, como se eu tocasse muito a serviço do grupo. Nesse disco, adotei a posição de compositor, cuidando dos arranjos, mas fiz também a guitarra ter uma presença, junto com a voz do Nasi, com uma timbragem legal", afirmou.
Além da entrevista completa com Edgard Scandurra, a edição 110 da revista Guitarload apresenta um artigo especial sobre Eddie Van Halen, com explicações detalhadas sobre as inovações e os "truques" do guitarrista, além de listar seus principais equipamentos. A revista está disponível para leitura no site, de forma gratuita, até o fim do mês de janeiro/2021.
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