Pantera: Vinnie Paul talvez fosse o único que ligava para fama e grana, diz Rex Brown
Por Igor Miranda
Fonte: EonMusic
Postado em 25 de março de 2021
O Pantera levou bastante tempo para chegar ao estrelato. Quando atingiu outro patamar de fama, tratou logo de fazer história, ao emplacar seu sétimo álbum, "Far Beyond Driven" (1994), no primeiro lugar das paradas dos Estados Unidos. Segue, talvez, como o disco de som mais pesado a conquistar tal feito.
Em entrevista ao EonMusic, o baixista Rex Brown refletiu sobre o período em que "Far Beyond Driven" foi lançado. Após alguns anos de luta, o Pantera já havia conquistado popularidade no início da década de 1990, mas o sétimo álbum da banda fez com que tudo mudasse de figura.
Inicialmente, Brown contou sobre o período em que "Far Beyond Driven" chegou ao primeiro lugar das paradas americanas. "Estávamos indo pegar um avião e eu fui a uma loja no aeroporto. Tinham um jornal USA Today que dizia: 'Pantera chega ao primeiro lugar das paradas da Billboard - a banda desconhecida do Texas'. E eles falavam algo além, como se fosse um 'fogo de palha'", afirmou.
O baixista não gostou nada de ter sua banda categorizada como "fogo de palha". "Trabalhamos 9 anos de nossas vidas para chegar exatamente onde estávamos naquele ponto. Então, não, não era apenas uma p*rra de 'fogo de palha'", disse.
Ainda assim, tanto ele quanto os outros colegas de Pantera se espantaram com o primeiro lugar nas paradas. "De repente, isso te coloca em outro plateau de: 'bem, estamos fazendo algo certo'. Era acima de nossas expectativas. [...] Era como se tivéssemos chegado lá, mesmo que tenhamos trabalhado tanto antes daquilo", comentou.
O Pantera cumpria uma agenda intensa naqueles tempos, não só nos palcos, mas fora deles. "Fazíamos sessões de autógrafo em lojas pela América, viajando com o jatinho da Time Warner. Fazíamos duas lojas por dia, com cerca de 2,5 mil a 3 mil pessoas. Voltávamos para o hotel, dormíamos, daí tínhamos um telefonema às 9h da manhã para entrar no jatinho e fazer tudo de novo. Fizemos isso por três semanas antes do álbum sair e acho que isso também teve muito a ver com o sucesso dele", declarou.
Na visão de Rex Brown, até então, os músicos do Pantera não ligavam tanto para toda aquela fama e para o dinheiro que chegava com o sucesso de "Far Beyond Driven". A única exceção, segundo ele, era o baterista Vinnie Paul, falecido em 2018.
"Aquele disco vendeu 600 mil cópias na primeira semana. Chegou a disco de platina. Insano! Daí vem a grana, a fama e tudo o mais, coisas que nenhum de nós ligávamos. Talvez Vinnie ligasse. Mas assim que o dinheiro entrava, aquilo poderia começar a te f*der se você não tivesse pessoas certas para te manter com os pés no chão. E tudo o que tínhamos era um ao outro", afirmou.
O baixista apontou que os empresários do Pantera "não faziam nada, só atendiam telefone". "Praticamente tudo era feito por nós, sempre mantivemos essa mentalidade DIY (do it yourself / faça você mesmo) o tempo todo", declarou.
Pantera e Bee Gees
Por fim, Brown contou uma história daqueles tempos: quando ele e o guitarrista Dimebag Darrell conheceram os Bee Gees.
"Estávamos em Nova York, em um hotel chamado Rhiga Royal. No elevador, estavam os Bee Gees. Havia tanto hype sobre aqueles garotos da banda de metal no topo das paradas. E aqueles caras haviam vendido milhões de discos. Então, eles chegam: 'vocês têm um disco no topo das paradas, temos que pagar uma bebida para vocês, vocês se importam?'", contou.
Os músicos, claro, aceitaram o convite. "Eu falei que ficaria honrado. Aqueles são alguns dos maiores compositores das últimas seis décadas. Fiquei muito amigo de Barry (Gibb) e do filho dele (Steve Gibb), que tem uns 4 anos a menos que eu. Eu o levei em turnê com o Down, ele trabalhou como técnico, eu já fiquei na casa da família. Os Gibbs são grandes amigos", destacou Rex.
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