Baterista: quem é o mais injustiçado entre Ringo Starr e Peter Criss?
Por Igor Miranda
Postado em 04 de março de 2021
Um papo entre bateristas chamou atenção nos últimos dias: Charlie Benante (Anthrax), Mike Portnoy (The Winery Dogs, Sons of Apollo, ex-Dream Theater, etc) e Roy Mayorga (Stone Sour) debateram, com os jornalistas Eddie Trunk, Paul Gargano, e Izzy Presley, sobre quem seria o mais subestimado entre Ringo Starr, dos Beatles, e Peter Criss, membro original do Kiss.
O assunto foi pautado em uma edição do podcast "Another FN Podcast With Izzy Presley" que trazia os três primeiros álbuns do Kiss como tema. Conforme transcrito pelo site Blabbermouth, os bateristas envolvidos na conversa concordaram que, no que diz respeito ao instrumento, Peter Criss é mais subestimado que Ringo Starr.
Na visão dos músicos, tanto Criss quanto Starr são bons bateristas, mas o eterno Beatle recebe mais crédito por seus feitos. Eles acreditam que, enquanto isso, o famoso Catman nem sempre é lembrado pela competência ao longo de seus anos iniciais com o Kiss.
Mike Portnoy, inicialmente, declarou: "O mais subestimado seria Peter, porque Ringo, por mais que as pessoas o critiquem por não ser um baterista tão técnico - algo que eu não acredito e discordo -, ele ainda é reconhecido como Ringo, um dos bateristas mais influentes da história. Enquanto isso, não acho que Peter recebe todo o crédito".
O ex-Dream Theater pontuou que diversos bateristas citam Peter Criss como influência, mas, no geral, seu trabalho é subestimado. "Sei que eu sempre cito Peter, Charlie o cita, Roy, Brian Tichy... há vários de nós que amam Peter e cresceram o ouvindo, dando crédito a ele, mas eu acho que geralmente ele é muito, muito subestimado", disse.
Na sequência, Charlie Benante concordou com a opinião do amigo e destacou o solo feito por Peter Criss na música "100,000 Years", no álbum ao vivo "Alive!", lançado pelo Kiss em 1975. "Se você ouvir o solo dele no 'Alive!', é incrível. Acho que o problema com Peter é que após o 'Alive', após 'Rock and Roll Over' (1976), ele não se esforçava mais, ele apenas tocava o que era bom para a música e só. Porém, ele tem, definitivamente, os melhores timbres de caixa de bateria em certas músicas", afirmou.
Portnoy complementou declarando que, em sua visão, os músicos do Kiss podem ter perdido o "apetite" após conquistarem a fama. "Depois que 'Destroyer' (1976), 'Rock and Roll Over' e 'Love Gun' (1977) foram lançados, eles se tornaram uma das maiores bandas do mundo - e isso, provavelmente, os deixou menos inspirados e menos famintos".
Outro ponto citado por Mike é que Peter Criss era um grande vocalista. "Especialmente no primeiro álbum do Kiss (autointitulado, de 1974), ele canta muitos vocais principais. Há também um bootleg de um show em Long Island, tocando em um pub de Amityville em 1973, onde Peter canta muita coisa. Mesmo coisas que Paul (Stanley, vocalista e guitarrista) e Gene (Simmons, vocalista e baixista) acabaram cantando no álbum. Ele era um dos cantores principais da banda", comentou.
Ouça, abaixo, o show citado por Mike Portnoy (a partir de 57min).
O bate-papo completo sobre Kiss, envolvendo os três bateristas, pode ser conferido, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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