RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Como foi o primeiro show do Nightwish, segundo Tuomas Holopainen

A música do Judas Priest que foi gravada em 20 minutos, segundo Ian Hill

Shayan do Trivax questiona se fãs de metal vivem o que a música prega

A banda que Don Henley achava que era a grande rival dos Eagles - e ele tinha razão!

Tom Araya diz que Slayer acabaria se expusesse conflitos como o Metallica fez

A música desacreditada por gravadora que virou trilha de filme e chegou ao topo das paradas

Jeff Beck conta como era ser confundido com Mick Jagger nos anos 1960

18 lançamentos de metal em junho: BangerTV aponta os destaques do mês

O disco do Sepultura que explodiu as "regras do metal", segundo a Classic Rock

O single dos anos 70 em que o Queen antecipou a lógica do TikTok

Yngwie Malmsteen revela título do próximo álbum de estúdio

Roy Khan confirma ex-Cradle of Filth na próxima tour pela América do Sul

Novo álbum do Dark Tranquillity deve sair no final de 2027

Mãe de Olivia Rodrigo deixou de ver seu show no Lollapalooza para assistir o Korn

Ex-vocalista do Uriah Heep, Steff Fontaine morre aos 70 anos


Stamp
Eminence

Dorsal Atlântica: Pandemia, um dos melhores e mais politizados discos da banda

Por
Postado em 27 de maio de 2021

Nota: 9 starstarstarstarstarstarstarstarstar

"Em Brazilândia, a sociedade é dividida entre 3 etnias: os equinos que governam, o povo canino e os símios militares. Um jumento é eleito como Primeiro Ministro através de um golpe dado com o judiciário e os generais gorilas. O novo governo infecta a população com o vírus da burrice, a pandemia da ignorância. Seus fanáticos seguidores empilham livros em fogueiras, clamam que a terra é plana e lotam os templos porque creem que o Deus Sumé as salvará do vírus, enquanto esses mesmos fanáticos destroem terreiros de Candomblé e incendeiam laboratórios, faculdades e livrarias".

O trecho acima é o enredo de "Pandemia" (2021), disco mais recente da DORSAL ATLÂNTICA. Caso o leitor/a por algum motivo tenha se sentido incomodado com ele, ignore o disco e interrompa a leitura da resenha. Mas, se por qualquer motivo essa descrição te tocou, sugiro que prossiga.

Dorsal Atlântica - Mais Novidades

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

"Pandemia" (2021) é protesto, rebeldia, contestação, esperança, anti-mediocridade, luta, deboche, denúncia, resistência. Um mix musicado de sentimentos que devia estar entalado na garganta de Carlos Lopes (e de muitos outros). Um disco forte, provocador.

Goste-se ou não do posicionamento da banda, essa tem sido a postura da DORSAL ATLÂNTICA por quase 40 anos. Mesmo nunca tendo escondido suas preferências políticas, surpreendeu a quantidade de gente que condenou a banda por isso, chamando-a de "esquerda", "lulista", "mortadela" e afins. Bastava ter feito uma rápida pesquisa na sua história.

Para não adentrar mais no aspecto político-social do disco, é óbvio (ululante, diria o saudoso Nelson) do que e de quem se trata o disco. Concorde ou não com a obra, o que temos passado desde 2017 é no mínimo preocupante: um país resumido entre "direita x esquerda", "nós x eles", "liberais x comunistas", "coxinha x mortadela" e daí para baixo. Só lembrando que as eleições de 2022 se aproximam aos poucos e o cenário não aparenta ser dos melhores, pelo contrário...

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O disco é pesado, não só liricamente falando. É metal com riffs afiados, solos e metrancas que se fundem com trechos do repente nordestino, do candomblé e da capoeira.

Segundo Carlos Lopes, que tocou a produção do disco quase sozinho, não houve ensaios: as composições e demos foram enviadas para os parceiros Cláudio Lopes e Braulio Drumond e, ali no estúdio mesmo, os arranjos foram feitos e tudo gravado de primeira. A produção, em diferentes estúdios, ficou muito boa e é preciso citar também o belo trabalho que o batera Braulio Drumond fez: passou pelo metal, hardcore, punk, ritmos regionais e metrancas, às vezes tudo em uma música só, de forma precisa.

Quando recebi o pacote pelos Correios, imaginei que o CD estivesse entre duas chapas de papelão. Ao abrir, uma surpresa de encher os olhos: o formato é do tipo álbum, com tamanho similar ao de um EP (20 x 20 cm). A capa, uma das minhas favoritas da banda desde já ao lado da genial "Alea Jacta Est" (1994), é obra de Cristiano Suarez (criador do pôster do que seria a turnê do DEAD KENNEDYS por aqui em 2019, antes do que restou da icônica banda arregar). Por dentro, mais desenhos dos personagens-chave do disco em cada parte interna. Cores fortes, analogias mais ainda. O CD fica protegido em uma placa de papelão que contém todas as letras. Um mini pôster traz ainda os nomes dos apoiadores do financiamento coletivo, a ficha técnica, várias fotos das gravações e dedicatórias a vereadora Marielle Franco, cujo assassinato permanece desde 2018 sem solução (ou seria divulgação?) e aos falecidos ex-bateristas Américo Mortágua e Roberto Tatá. Um trabalho gráfico impecável.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Gostei muito do disco como um todo, seus quase intensos 60 minutos passam rápido. Meus destaque vão para: "Pandemia", que resume o disco; "Pobre de Direita", com seu arrepiante timbre de guitarra guiado por uma intensa bateria a la "Overkill" no início; "Combaterei", que termina com trecho em voz e violão de "A Internacional"; "Infectados (Teocracia e Narco-Estado)", relato da explosiva mistura de fanatismo religioso com crime organizado (algo aparentemente surreal, mas aqui é Brasil, lembra?); "Povo (Inocente ou Culpado?)" e "Terra Arrasada (Treva Que Nunca Acaba)", com seu ritmo eletrizante.

Quem ficou de fora desse projeto vale a pena fazer buscas pelas lojas ou tentar através do e-mail [email protected] adquirir uma cópia. Um dos melhores discos da DORSAL ATLÂNTICA - concorde ou não com seu ponto de vista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Formação:

Carlos Lopes: vocais, violões e guitarras
Cláudio Lopes: baixo
Braulio Drumond: bateria

Faixas:

01 Pandemia solo do começo
02 Burro (É Só Cair de Quatro Prá fazer Him-Hom)
03 Cães
04 Pobre de Direita
05 Combaterei
06 Gorilas (Nó Passarán)
07 Infectados (Teocracia e Narco-Estado)
08 Povo (Inocente ou Culpado?)
09 Resistência (Não Resiste)
10 Terra Arrasada (Treva Que Nunca Acaba)
11 Número 28

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Sepultura


publicidadeRogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2023) e vol. 2 (2024), lançados pela Editora Denfire.
Mais matérias de Mário Pescada.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS