Volúpia: Single "Poderes e Forças" prepara terreno para o primeiro álbum
Por Mateus Rister
Fonte: Insanity Records
Postado em 14 de outubro de 2021
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A VOLÚPIA é uma banda de Hard Rock e Heavy Metal formada por amigos na metade da década de 1980. Durante seus primeiros anos de atividade fez diversos shows e conseguiu um feito raro para grupos de som pesado da época, registrar uma de suas músicas em um álbum oficial, a coletânea IV Festival da Música Viamonense. Quase 15 anos após a sua dissolução, o que era para ser uma ação para celebrar a história da banda virou a fagulha para um retorno às atividades. Agora, Marco Canto (voz), Luciano Reis (guitarra), Ricardo Lampert (baixo) e César "Five" Louis (bateria), estão prestes a lançar o primeiro álbum oficial e já planejam os próximos anos para a VOLÚPIA.
Em meio aos preparativos finais do vindouro disco, incluindo o lançamento do single "Poderes e Forças", os músicos nos concederam a entrevista que pode ser conferida abaixo:

Mateus Rister: Ricardo, na primeira fase da banda, de 1985 até 1989, você era guitarrista. No retorno, você passa para o baixo. Por que aconteceu essa mudan~ca?
Ricardo Lampert: Foi uma eventualidade, um verdadeiro acaso. Na verdade, eu saí da banda em 1988 e fiquei 28 anos completamente parado e longe da música. Em 2016, quando decidimos retornar, o Gustavo Canals, que era o baixista original da Volúpia, recusou o convite por não poder conciliar a música com as atividades dele. Por isso eu decidi assumir o baixo e deixar a guitarra com o Márcio Superti, que foi quem me substituiu na banda em 1988. E outra, tocar baixo sempre foi um sonho meu, desde a década de 1980, então eu não pensei duas vezes em assumir o baixo quando decidimos retornar com a banda.
Mateus Rister: Como foi o processo para que a banda retornasse em definitivo?
César Louis: Em 2014, eu reuni todo o material que eu tinha sobre a Volúpia e criei uma fanpage da banda no Facebook e isso acabou atraindo várias pessoas e entre elas, alguns ex-membros, como o Ricardo. No ano seguinte começamos a conversar sobre a possibilidade de nos reunirmos para um show em celebração ao lançamento do livro "A História do Rock Pesado Gaúcho", do qual fazemos parte. Chegamos a nos encontrar pessoalmente no Galera’s Rock Bar, em Lajeado, em um show que eu toquei com a Sabotage Black Sabbath Cover e, naquele dia, "batemos o martelo" sobre o retorno da banda que acabou ocorrendo no em 2016, em um primeiro ensaio com Marco Canto na voz, Márcio Superti na guitarra, o Ricardo no baixo e eu na bateria. Tempos depois, decidimos colocar uma segunda guitarra e chamamos o Luciano Reis, ex- companheiro do Canto na Spartacus. Infelizmente o Márcio Superti não conseguiu conciliar a banda com as atividades dele, o Luciano assumiu sozinho o posto de guitarrista e voltamos a ser um quarteto. A nossa ideia inicial era de fazermos somente um show, mas tudo fluiu muito bem e acabamos ampliando o nosso projeto realizando vários shows e a gravação do nosso primeiro álbum.
Mateus Rister: Temos conhecimento da dificuldade de gravar na década de 1980, ainda mais se tratando de Hard Rock ou Heavy Metal. Além de alto custo, poucos produtores entendiam e sabiam gravar música pesado. Mas vocês conseguiram registrar uma canção na coletânea em LP IV Festival da Música Viamonense. Como foi essa gravação?
César Louis: Aquela foi uma das primeiras gravações de uma banda de heavy metal em um LP. Naquela época, poucas bandas gaúchas de metal tinham gravado material em discos e essa nossa participação numa coletânea musical foi algo inusitado porque nós éramos os "patinhos feios" e a única banda de heavy metal em um disco que tinha basicamente MPB. Foi uma experiência importante para a banda ter ido ao estúdio e gravado essa música. Foi um marco importante que acabou abrindo os nossos caminhos e não só na cidade de Viamão, mas também em outros locais. Pretendemos regravar a Princípio de Uma Nova Era, que fez parte dessa coletânea, com uma nova roupagem para o próximo CD.
Mateus Rister: Sobre a gravação do álbum oficial, será de músicas da primeira fase retrabalhadas, novas canções ou um misto de toda a história da banda?
Marco Canto: Em primeiro lugar, é importante destacar que trazer de volta estas músicas é como desenterrar um tesouro que foi guardado por mais de duas décadas e funciona como uma cápsula do tempo. E, ao analisar o material, se constata que é de qualidade inestimável e atemporal, confirmada pela reação do público nos shows que fizemos até antes da pandemia. Este primeiro álbum vai contar com 10 músicas. Da primeira fase, com o Ricardo Lampert na guitarra, temos dua músicas retrabalhadas. Da segunda fase, com o Márcio Superti na guitarra, se completam mais sete músicas, sendo 5 retrabalhadas e duas originais. Pra fechar as 10 músicas do álbum, decidimos colocar uma música nova apenas, porque ela trata justamente sobre esse nosso momento atual de reencontro após quase 30 anos e de toda a adrenalina que passou a rolar nos ensaios e shows que realizamos desde o primeiro ensaio em 2016.
Mateus Rister: As músicas "Rebelião" e "Você Também Pode Ver", que ganharam lyrics vídeos, estarão presente no álbum?
Ricardo Lampert: A "Rebelião" e a "Você Também Pode Ver" foram gravadas em 1989 e 1988, respectivamente, e estavam guardadas. Decidimos realizar um lyric vídeo dessas duas músicas para resgatar um pouco e poder divulgar a banda nas redes sociais. A Rebelião estará no álbum, mas a "Você Também Pode Ver" não. Decidimos deixar ela de fora desse primeiro e incluir ela em um segundo álbum que terá basicamente composições feitas agora e algumas regravações que pretendemos fazer de material individual e também da própria banda.
Mateus Rister: No caso de gravações das músicas da primeira fase, como foi esse processo de resgate? Existia um arquivo de demos e gravações da época ou tiveram de puxar pela memória para lembrar trechos ou músicas inteiras?
César Louis: Sim, nós tínhamos todas essas músicas gravadas em fitas K7 e também em MP3. O processo de resgate foi muito fácil. Apesar de ser de quase 30 anos atrás, tudo continuava bem claro em nossas memórias. O primeiro ensaio fluiu muito bem e parecíamos que não estávamos há tanto tempo assim sem tocar essas músicas. O que fizemos foi, a cada ensaio, trocar ideias sobre o que cada música poderia ser modificada ou melhorada e fizemos isso. Temos algumas músicas que foram bem modificadas e outras que foram muito pouco ou quase nada. Basicamente, estamos mantendo nelas a mesma pegada "oitentista" que caracteriza o som da banda.
Mateus Rister: A banda acaba de lançar o single "Poderes e Forças", como a produção dessa canção?
Luciano Reis: Estamos realizando toda a gravação no estúdio Casa dos Gatos, o meu estúdio que possuo aqui na minha casa em São Leopoldo, exceto as baterias que foram gravadas pelo César em Porto Alegre, no estúdio Green Room e com o apoio do Marlon Steindorff, guitarrista da Epitaph. A "Poderes e Forças" foi à primeira música do álbum a ser finalizada e decidimos que ela seria um excelente single, pois é uma música direta que mostra bem essa personalidade forte e marcante da banda. A mixagem dela foi feita pelo Lucas Sontorum da LST Produções, que, aliás, fará a mixagem de todo o álbum.
Mateus Rister: Voltando ao álbum, já existe uma previsão de lançamento? E qual será o nome do trabalho?
Marco Canto: Inicialmente tínhamos a ideia de lançar o álbum em 2020 ou 2021, mas a pandemia alterou completamente os nossos planos. Nesse momento, estamos trabalhando forte para terminar as gravações até o final desse ano e lançar o disco em 2022. Sobre o nome do álbum, já temos um nome mas preferimos não divulgar ainda. Em uma outra oportunidade poderemos estar divulgando o nome do primeiro álbum assim como o setlist completo dele.
Mateus Rister: Sairá em formato físico ou apenas nas plataformas digitais?
Ricardo Lampert: Esse álbum será a realização de um sonho para nós, porque poderemos registrar o nosso trabalho que estava esquecido e guardado desde 1989. Então faremos sim um CD com capa e encarte que ficará muito bem registrado para sempre e também nas plataformas digitais, afinal todos viemos de uma época onde os discos, fitas e CDS é que mandavam (risos).
Mateus Rister: Do retorno às atividades até o início da pandemia, a banda fez diversas apresentações pelo estado. Como foi a recepção do público nestes shows?
César Louis: Foi sensacional. Tivemos um retorno muito positivo em todas as nossas apresentações e, o principal, nos divertimos muito a cada show realizado. A Volúpia faz uma música bem acessível a todos os gostos musicais. Temos um bom público feminino, ao contrário da primeira fase da banda de 1985 a 1990 onde era predominantemente masculino. As mulheres adoram as nossas músicas e isso nos deixa muito felizes porque não queremos atingir somente um público específico.
Mateus Rister: Vocês estão planejando um show de lançamento do álbum?
Ricardo Lampert: Sim, não planejamos apenas um mas vários shows de lançamento em várias cidades do estado e até de fora. Queremos percorrer o máximo possível de cidades e divulgar o nosso álbum.
Mateus Rister: Como vocês enxergam o cenário pós pandemia para bandas independentes? Conseguem projetar um retorno aos palcos em definitivo?
Luciano Reis: A pandemia nos fez repensar sobre muitas coisas a respeito do nosso comportamento e claro que o cenário da música está tendo reflexos disso. Entendemos que tudo isso vai passar e em breve estaremos realizando shows normalmente como antes. É o que a gente espera para podermos realizar com tranquilidade a divulgação do nosso álbum."
Mateus Rister: Deixamos esse espaço para vocês enviarem uma mensagem direta ao público:
Ricardo Lampert: Em nome da Volúpia e à todos os nosso amigos e fãs da banda que estamos fazendo o nosso melhor nas gravações do álbum para entregarmos o melhor possível. Queremos agradecer à todos pela recepção que tem nos mostrado desde o nosso retorno as atividades. Essa força nos move a continuar ensaiando e realizando shows.
Fotos:
Duda Homem
Contatos:
https://www.facebook.com/BandaVolupia
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