Gojira: por que Joe Duplantier resolveu viajar a Brasília para apoiar indígenas
Por Igor Miranda
Postado em 10 de novembro de 2021
Joe Duplantier, vocalista e guitarrista do Gojira, surpreendeu quando viajou a Brasília, no último mês de agosto, para juntar-se a um protesto indígena.
Na ocasião, milhares de nativos se manifestaram de forma contrária ao Projeto de Lei 490, de 2007 (PL 490/2007), que busca alterar o rito de demarcação de terras indígenas e permitir, nelas, a realização de atividades econômicas por pessoas não indígenas. A possível aprovação do PL 490 determina que terras indígenas sejam todas aquelas áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988, dia em que a Constituição Federal foi promulgada.
Caso o projeto torne-se lei, será necessário que os indígenas comprovem que as terras demarcadas onde vivem no momento estavam ocupadas em 5 de outubro de 1988. Tal ideia é criticada por especialistas na área, visto que seria difícil realizar esse tipo de comprovação por uma série de razões - uma reportagem do site G1 explica a situação com maior profundidade.
Diante disso, Joe resolveu agir e dar visibilidade à luta dos indígenas em prol da Amazônia. Em sua viagem, participou das manifestações realizadas na capital nacional e teve um contato íntimo com os nativos, sendo até mesmo batizado pela tribo Guarani-Kaiowá.
Meses antes, sua banda, o Gojira, lançou a música "Amazonia", que lida diretamente com essas questões. A faixa integra o álbum "Fortitude", divulgado no primeiro semestre deste ano. A temática ambiental, vale destacar, tem sido abordada pelo grupo em vários de seus trabalhos.
Em entrevista ao Metal Injection, transcrita pelo Whiplash.Net, o músico revelou como se envolveu mais diretamente com o problema vivenciado no Brasil. Inicialmente, ele refletiu que sua preocupação com o meio ambiente é frequente.
"A forma como estamos usando recursos, a forma como nos comportamos, a economia, os sistemas políticos, a educação, o dinheiro... é uma bagunça organizar tudo entre nós humanos. Há algumas coisas que são esquecidas ou consideradas de forma errada. E as pessoas tendem a se desconectar da natureza sendo que nós somos natureza. Não podemos tratar a natureza como se fosse coisa de outro mundo. Estamos dentro da natureza. Somos parte desse mundo. Nossas palavras importam. Sempre refletimos sobre isso quando compomos músicas", afirmou.
A composição de "Amazonia"
Também durante o bate-papo, Joe Duplantier relembrou o processo de criação de "Amazonia". Segundo ele, a banda, que destinou rendas obtidas com a canção para a ONG Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), teve a ideia de trabalhar na composição após uma notícia sobre incêndios na Floresta Amazônica.
"Nos encontramos em estúdio e no mesmo dia vimos notícias de que a Amazônia estava em chamas. Ficamos muito tristes. Era um sentimento muito simples. Era difícil ver a Amazônia, com tudo que ela representa para a humanidade e para a diversidade de animais, estando em chamas. Isso não é novidade. Haters dirão: 'espera aí, fogo é parte da vida'. Eu amo fogo. Não passo um dia sem usar fogo. Mas esse não é o ponto. Há mais de 80 mil incêndios ocorrendo ao mesmo tempo. Você vê que o aquecimento global é um grande problema quando há todos esses incêndios no verão (do Hemisfério Norte), houve muito na Grécia, Turquia e em todos os outros lugares. É uma consequência do nosso estilo de vida", afirmou.
Inspirados a usarem suas vozes para dar amplitude global ao problema, os músicos compuseram a faixa e buscaram ir além, com o apoio financeiro à Apib. "Na Amazônia, o problema é mais complicado. Não é só aquecimento global - é ligado à forma de vida, à consequência de como a gente consome. [...] A atividade humana é o problema ali. Quando compramos algo no supermercado, não percebemos que isso está diretamente ligado a atrocidades, crimes cometidos... é inaceitável. Apenas quisemos fazer uma música sobre isso. Uma coisa ligou à outra. Então, pensamos em fazer algo que pudesse lidar com o problema e poder agir nisso", explicou Joe.
Críticas ao governo brasileiro
Ainda em meio à conversa, o frontman do Gojira fez críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro pela forma como conduz a situação ambiental no Brasil. O artista também destacou que houve pouco apoio da população não-indígena à causa, mesmo considerando que os protestos mobilizaram 6 mil indígenas de mais de 300 tribos.
"Os indígenas usam um tipo específico de material para construir suas casas: madeira e grama. Infelizmente, é um alvo fácil para a máfia local que quer empurrar a agenda de Bolsonaro, que é sobre desenvolver economia, ganhar mais dinheiro, aumentar os negócios com a China o máximo possível ao criar rodovias e ferrovias pela Amazônia até chegar ao lado do Oceano Pacífico, aumentando o comércio com eles. Ele tem planos para erradicar a floresta o máximo possível. Alguém precisa parar esse cara", disse.
Duplantier destacou, ainda, que se preocupa com o meio ambiente em termos globais, não apenas em seu país natal, a França. "A Amazônia é nosso jardim. Não há fronteiras quando se fala de oxigênio, oceano e recursos naturais. Houve quem tenha me dito: 'vá cuidar da França, isso é Brasil'. Mas eu sou um ser humano, vivo nesse planeta e me preocupo com ele", declarou.
Por fim, o músico comentou sobre uma suposta estratégia dos políticos para votarem a PL 490 e não gerarem controvérsia. "Em vez de votar logo algo contra os indígenas enquanto eles estão protestando, o governo fica arrastando a decisão o máximo possível para deixá-los exaustos, para vê-los voltando à floresta e aí sim votar, pois evitaria rebuliço. [...] Então, esse processo é super longo. É uma técnica bem simples: tentar passar alguma lei esperando que não crie rebuliço", disse.
A entrevista completa pode ser conferida, em inglês e sem legendas, no player a seguir.
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