Charlie Watts sobre Keith Moon: "Ele estava mais para três pessoas em uma"
Por André Garcia
Postado em 16 de outubro de 2022
O rock surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 50, dominando a Inglaterra no começo da década seguinte, com o surgimento de bandas como Rolling Stones e The Who. Ambos estão entre os maiores percussores do rock pesado e do punk, tanto por sua sonoridade quanto pela atitude. Curiosamente seus bateristas, por outro lado, não poderiam ser mais diferentes.
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Os Stones tinham Charlie Watts, com seu estilo básico e com a descrição e boas maneiras de um mordomo. Já o Who tinha Keith Moon, com seu jeito maluco e caótico como um furacão — quer fosse no palco destruindo baterias ou fora dele, destruindo quartos de hotel. Apesar de tão diferentes, conforme publicado pela Rock and Roll Garage, eles se davam muito bem.
"Keith Moon, aquele era uma figura", disse Watts em entrevista à Rolling Stone em 2013. "Eu Adorava ele. Não há outro dele. Ele era um cara bem charmoso, um cara adorável, na verdade, mas… ele podia ser uma pessoa difícil também. Na verdade, não havia apenas um dele — ele estava mais para três pessoas em uma.
"Ele morou aqui em Los Angeles por um tempo, nos seus dias mais loucos. Meu Deus, eu lembro de ter vindo para cá com ele uma vez que ele tentou me empurrar formigas achocolatadas — ele andava com latas de formigas cobertas de chocolate. É disso que estou falando! Ele não era um cara normal, naquele sentido, mas, em seu coração, era um cara legal. Eu sempre me dei bem com ele."
"Ele foi um baterista incrível com Pete [Townshend]; eu não sei se ele era bom baterista longe de Pete [risos]! Muitos caras, creio eu, teriam adorado tocar com ele. Ele não tocava realmente no tempo ou algo assim, ele não era funky nem nada. Ele era totalmente outra coisa."
Pouco após a morte de Charlie Watts, falecido em 2021, Pete Townshend no Instagram relembrou que ele esteve no funeral de Keith Moon em 1978:
"Charlie Watts chorou no funeral de Keith Moon. Quem me dera ser capaz de derramar lágrimas como aquelas hoje. Em vez disso, eu quero só dizer adeus. Não se tratava de um baterista de rock, mas um baterista de jazz, na verdade — é por isso que os Stones tinham o swing da banda de [Count] Basie! Que homem adorável... Deus abençoe sua esposa e filha, eu aposto que até os cavalos vão sentir a falta dele."
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