Gene Simmons exalta David Bowie: "Mudou a cara da música e se recusou a se acomodar"
Por André Garcia
Postado em 17 de dezembro de 2022
David Bowie com Ziggy Stardust e Gene Simmons com o Kiss surgiram no começo dos anos 70 com propostas que compartilhavam certos paralelos. Ambos abusaram de maquiagem e roupas extravagantes em apresentações bombásticas e teatrais que deixavam os caretas de cabelo em pé — só que um de forma mais americana, o outro de forma mais britânica.
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No começo de 2016, Bowie morreu após longa batalha contra um câncer no fígado, que ele preferiu manter em segredo. Dessa forma, a notícia de sua morte pegou de surpresa os fãs, que sequer sabiam que ele estava doente. Grande admirador do Camaleão do Rock, Conforme publicado pela Rock and Roll Garage, Gene Simmons aproveitou para o exaltar à CNN.
"David Bowie, não sei por que, nos convidou para uma sessão de gravação dele. Nós ficamos nervosos, e tal. Eu me lembro de quando eu cheguei. Embora a gente não se conhecesse, ele sorriu, me olhou nos olhos, estendeu a mão e disse: 'Olá, prazer imenso te conhecer!' Eu levei um baque, fiquei abalado por [se tratar de] um gigante, alguém que mudou a cara da música e se recusou a se acomodar, e está sempre de olho a seu redor enquanto segue seu próprio caminho. Ele simplesmente seguia avançando tão rápido quanto pudesse — marchava ao ritmo de sua própria batida."
"'Rise and Fall of Ziggy Stardust [and the Spiders From Mars]', especialmente aquele disco, que está profundamente enraizado em meu DNA. Ele se foi três dias após seu aniversário, e tinha acabado de lançar um disco chamado 'Blackstar'. Vale ressaltar que a primeira música já começa dizendo 'Olhe aqui em cima, eu estou no paraíso'. Que gigante!
"Bowie sempre entendeu que as pessoas não vão a shows apenas para ouvir música; elas vão para ouvir com os olhos, então você tem que oferecer algo mais. Bowie deu a todo mundo e seus fãs muito mais. Ao contrário de nós — ao contrário do resto de nós, famosos — ele se recusou a se acomodar, o que por si só é algo impressionante."
"Ao longo das décadas, ao longo dos anos, você não consegue dizer exatamente quem era David Bowie, de tanta coisa que ele era. Não dá para definir o que exatamente ele era. Ele era único. O que mais tem por aí são famosos astros do rap, astros do pop… [mas] pouquíssimos merecem estar lá no topo, e David Bowie claramente é um."
David Bowie
Nascido em 1947 na Inglaterra e batizado como David Jones, Bowie iniciou sua carreira em meados dos anos 60, fazendo um pop psicodélico pouco convincente. Embora até tenha emplacado o hit "Space Oddity" em sua fase folk hippie, sua carreira só decolou de fato em 1972, quando ele encarnou o andrógino e extravagante alienígena Ziggy Stardust e liderou a banda glam The Spiders From Mars.
Abusando da metalinguagem, lançou o álbum conceitual "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars" (1972), se tornando um verdadeiro astro em solo britânico. Nos Estados Unidos, ele chegou ao topo das paradas anos depois em parceria com John Lennon em "Fame" — já em sua fase soul.
Ao longo de sua carreira, Bowie recebeu a alcunha de O Camaleão do Rock pelo fato de mudar de aparência, estilo musical (e até mesmo personalidade!) como uma cobra troca de pele. Mais do que começar no psicodélico e no folk e fazer sucesso no glam e soul, ele já fez música de vanguarda em Berlin, já embalou estádios com o pop hit "Let's Dance" nos anos 80 e atacou na música eletrônica nos anos 90.
Após sofrer um ataque cardíaco em um show em 2004, o cantor se afastou dos palcos e passou anos levando uma vida reclusa. Ele já era até dado como aposentado quando lançou de surpresa "The Next Day" (2013).
Em 10 de janeiro de 2016, David Bowie morreu de câncer no fígado, apenas dois dias após lançar seu último álbum "Blackstar", gravado enquanto enfrentava a doença, mantida em segredo. Após sua morte, o álbum ganhou um novo significado, e seu autor impressionou a seus fãs pela última vez. Causou comoção sua corajosa e louvável decisão de transformar tudo aquilo que estava passando em arte, com um arrepiante clima melancólico e letras sobre mortalidade e tom de despedida.
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