Carmine Appice: "O único jeito de ganhar dinheiro com música hoje é na Netflix ou um filme"
Por André Garcia
Postado em 25 de janeiro de 2023
Dos anos 50 ao final dos anos 90, a indústria musical estava a todo vapor vendendo milhões de discos por ano, o que rendia aos músicos uma de suas maiores fontes de renda. Após a popularização da internet e o advento do compartilhamento de arquivos, no começo dos anos 2000, de repente, a venda de CDs despencou no abismo.
Hoje em dia as pessoas voltaram a pagar por música com o surgimento das plataformas de streaming, mas a situação continuou crítica para os músicos, que pouco recebem dessas empresas.
A situação está feia para todo mundo, até mesmo para Carmine Appice — co-fundador do Vanilla Fudge. Desde os anos 70, ele é considerado um dos maiores músicos de estúdio do rock, e já tocou bateria com uma extensa e inacreditável lista de grandes artistas: Jeff Beck, Marty Friedman, Michael Schenker, Paul Stanley, Pink Floyd, Rod Stewart, Sly Stone, Ted Nugent…
Conforme publicado pela Ultimate-Guitar, ele deu uma entrevista onde disse que músicos praticamente não ganham dinheiro com CDs ou streaming, apenas com músicas em trilha sonora de séries ou filmes:
"Não se ganha mais dinheiro com composição, não se ganha mais dinheiro vendendo discos. Eu tenho todos esses discos de ouro na parede — ninguém consegue mais isso. O único jeito de fazer dinheiro hoje é ter sua música no Netflix ou um filme. Esse é o único jeito de ganhar dinheiro, porque a indústria do streaming é ridiculamente inútil [em remunerar artistas]."
"O motivo pelo qual eu vendi [os direitos autorais de] minhas músicas foi porque não tem mais royalties: é uma merreca. Porque tudo foi para o streaming, e o streaming destruiu a indústria musical, no que me diz respeito. Eu nem ouço Spotify e essas coisas. Não ouço porque eles estão metendo a mão nos músicos muito feio. Você recebe migalhas do Spotify. E as gravadoras, elas não vendem mais CDs — podem até vender um pouco de vinil, mas isso não dá dinheiro."
"Quando se trata de jovens músicos, eles não têm chance — a não ser que saibam como viralizar no YouTube. Eu não sei fazer isso. Eu não sei como essa bandas brotam do chão e conseguem dois milhões de visualizações no YouTube, ou 400 mil seguidores no Facebook e Instagram. Estou por fora dessas coisas, nem imagino o que eles fazem, então eles devem saber melhor que eu.
"Mesmo assim, o único dinheiro que dá para fazer com isso é saindo em turnê para fazer shows e vender merchandising. Mesmo se você não for um grande nome, você abre show para alguém, faz merchandising e descola uma grana. É só turnê e merchandising", concluiu.
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