The Doors: A resposta de Jim Morrison sobre se ver como poeta ou rockstar
Por André Garcia
Postado em 21 de janeiro de 2023
Formado em 1965, o The Doors tornou seu vocalista Jim Morrison mundialmente conhecido como rockstar e poeta. Apaixonado por literatura, cinema e teatro, ele ajudou a levar o rock americano a outro patamar na segunda metade da década de 60.
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A partir de 1968, no entanto, a frustração o consumiu pouco a pouco, fazendo com que ele afundasse no alcoolismo e nos excessos que findariam sua vida precocemente aos 27 anos.
Um dos principais motivos de tanta angústia foi sua frustração com a superficial vida de rockstar. Para piorar, quanto mais ele era retratado como um galã do rock, menos era levado a sério enquanto escritor e poeta. Em entrevista para a Rolling Stone em 1969, ele falou sobre fazer aqueles dois então dicotômicos papéis.
Rolling Stone: Quem te apresentou à poesia?
Jim Morrison: Acho que foi quem quer que tenha me ensinado a falar. Sério mesmo. Acho que foi já na primeira vez que aprendi a falar. Até o advento da linguagem, era o toque — a comunicação não-verbal.
Rolling Stone: Como você se enxerga? Um poeta? Um rockstar? Ou o quê?
Jim Morrison: Não recebo muito feedback, além do que leio. Gosto de ler o que é escrito sobre isso. É o único momento em que recebo algum tipo de feedback sobre essa coisa toda. Morando em Los Angeles, não é grande coisa — é uma cidade anônima, vivo uma vida anônima. Nossa banda jamais atingiu as massas, como algumas outras. Jamais houve uma adulação em massa, então isso nunca me afetou muito.
Eu me vejo como um artista consciente, desconectando dia após dia, assimilando as informações. Eu gostaria de trabalhar em algo que fosse como meu próprio teatro. Estou muito interessado nisso agora. Embora eu ainda goste de cantar.
Rolling Stone: Tenho a impressão de que muita gente no rock não têm muito (ou nenhum) respeito pelo estilo. Digo isso no sentido de não lidarem com o fato de serem cantores ou músicos de rock. Ao invés disso, eles sempre dizem que são músicos de jazz ou cineastas.
Jim Morrison: Eu sei o que você quer dizer. Na verdade, acredito que a maioria dos músicos e cantores de rock realmente gosta do que está fazendo. Seria psiquicamente insuportável fazer isso só pela grana. O que acho que estraga tudo são as besteiras publicadas sobre eles pela imprensa, colunistas de fofocas e publicações de fãs. Se um cara é baterista, canta, ou é guitarrista, ele gosta do que faz, mas, de repente, todo mundo começa a colocar toda essas besteiras na parada. Aí a pessoa começa a perder a motivação. Sempre tem aqueles que, sempre que podem, atacam seu ponto fraco; então você acaba sentindo vergonha e frustração com o que está fazendo. O que é uma pena. É realmente muito ruim. Eu queria ter sido mais específico, mas acho que você sabe o que quero dizer.
The Doors
O The Doors foi formado em 1965 em Los Angeles, pelo vocalista Jim Morrison, o tecladista Ray Manzarek, o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore. Eles se destacaram por criar músicas que exploravam temas como a liberdade, o amor livre, experimentações e a rebeldia, incorporando elementos de rock, blues, jazz, psicodelia e poesia.
Em sua carreira, o The Doors lançou álbuns clássicos como seu autointitulado debut de 1967 e "Strange Days" (1968), que conquistaram uma legião de fãs. Mas era ao vivo que a banda realmente brilhava, com o magnético carisma de seu vocalista em incendiárias apresentações performáticas para lá de provocativas e imprevisíveis.
A partir de 1968, por outro lado, as frustrações de Jim com a vida de rockstar e sua falta de reconhecimento como um escritor sério o levaram a afundar no alcoolismo. Para piorar, problemas na justiça contribuíram para que ele perdesse o interesse na música e caísse na depressão.
Após terminar sua parte na gravação de "L.A. Woman" (1971), Morrison partiu em retiro para a França, em busca de se recuperar física e mentalmente. Infelizmente, ele jamais retornaria daquela viagem. Poucos meses após o lançamento do álbum, ele foi encontrado morto na banheira aos 27 anos.
Os membros remanescentes ainda tentaram seguir em frente sem seu frontman, mas, após fracassarem com "Other Voices" (1971) e "Full Circle" (1972), não restou a eles outra alternativa se não o fim da banda.
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