Paul Stanley, do Kiss, considera "um erro" ter demitido Eric Carr com câncer
Por André Garcia
Postado em 06 de março de 2023
Eric Carr entrou para o Kiss em 1980, substituindo seu baterista original Peter Criss. Com a maquiagem de raposa, ele pegou a banda no fundo do poço, e estreou em seu maior fiasco: "Music From the Elder" (1981). Nos anos seguintes, com "Creatures of the Night" (1982) e "Lick It Up" (1983) a banda se reergueu como um expoente do rock pesado — em muito graças ao peso e a energia de Carr, fanático por John Bonham.
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Prematuramente, aos 41 anos, ele morreu em 24 de novembro de 1991, após uma batalha contra um raro câncer cardíaco. Apesar de sua importância para a banda, foi demitido dela enquanto enfrentava a doença. Conforme publicado pela Ultimate Classic Rock, Paul Stanley carrega esse episódio na consciência com arrependimento.
"Eu não sou muito de acreditar em erros", disse ele em recente entrevista a Howard Stern. 'Acredito que tudo que você faz o leva ao lugar onde você está. Sem esses erros, você não teria feito sucesso como poderia. A única coisa que pessoalmente considero um erro foi quando nosso segundo baterista, Eric Carr, ficou doente com câncer."
Paul contou que o baterista tinha um câncer raro no coração, que acometia menos de 10 pessoas por ano, mas, mesmo assim, ele não compreendeu a gravidade da situação:
"No começo, não conseguimos acreditar, mas logo ficou bem claro. Ele passou por uma delicada cirurgia cardíaca. [...] Eu não acreditava que ele pudesse morrer. Eu achava que era uma condição que ele carregaria: 'OK, ele tem isso, mas depois vai passar'. Se eu soubesse, acho que teríamos tratado a situação de forma mais sensível. Nós cuidamos dele, pagamos suas contas médicas, mas também dissemos a ele 'Vamos continuar com a banda enquanto você está doente'. Bem, ele não estava simplesmente doente — ele estava morrendo."
"Com o benefício de um olhar em retrospectiva, você pode pensar que, pô, nos disseram que ele tinha esse câncer que afeta apenas seis pessoas por ano, e nós simplesmente [o demitimos]… Nós fizemos o que julgamos cauteloso, só que não levamos em consideração a gravidade da situação. Então, sim, me sinto mal por isso. Ele se afastou de nós com razão, se sentiu traído", concluiu.
Em sua autobiografia Face the Music, de 2014, Stanley contou que "Eric queria desesperadamente fazer música, mas ainda estava muito fraco. Se eu soubesse na época o que sei agora — não imaginava que aquela era sua última chance — eu o teria deixado tocar. Na época, eu tinha certeza de que ele sairia daquela."
O livro conta também que Eric Carr ficou profundamente chateado quando a banda decidiu seguir em frente e trabalhar no próximo álbum sem ele:
"Assim que dissemos a ele que iríamos gravar o 'Revenge' [(1992), com outro baterista], ele cortou contato com a gente. Embora na época eu achasse que tinha tomado as melhores decisões, comecei a perceber que tinha errado. Tínhamos afastado Eric da pior forma: o negando aquilo que mais importava para ele: seu posto no Kiss", lamentou.
"God Gave Rock n Roll To You II" foi gravada anteriormente ao álbum
"Revenge", já com Eric Singer na bateria. Ela foi lançada em 1992, na trilha sonora do filme Bill & Ted, estrelado por Keanu Reeves. Eric Carr, que chegou a gravar backing vocals na faixa, foi homenageado com a inclusão no clipe, onde aparece tocando bateria. Heroicamente, ele fez questão de gravar sua participação e, por conta da saúde já bastante debilitada, teve que dublar e usar peruca.
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