Tony Iommi comenta os cinco primeiros álbuns da discografia do Black Sabbath
Por André Garcia
Postado em 27 de junho de 2023
É consenso (ou quase) entre os fãs do Black Sabbath que os principais álbuns de sua discografia foram os cinco primeiros: de 'Black Sabbath' (1970) a 'Sabbath Bloody Sabbath' (1973).
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A combinação de seu auge criativo com aquela empolgação de começo de carreira, apesar do ritmo frenético de turnês e gravações, rendeu aquelas cinco obras-primas. Algo inimaginável para as bandas de hoje em dia, tudo aquilo foi gravado em apenas quatro anos (entre outubro de 1969 e setembro de 1973).
Em entrevista para a edição de agosto de 1992 da Guitar World, Tony Iommi — que já há anos era o único membro original remanescente do Black Sabbath — comentou seus primeiros álbuns.
Black Sabbath (1970)
"Dinheiro era algo muito escasso naquela época, então o álbum inteiro foi gravado em oito horas em uma mesa de som de oito canais no Regent Sound, em Londres. Estávamos tão felizes só de ter a chance de gravar um disco que toda a experiência parecia muito luxuosa. Um contrato de gravação naquela época era algo muito grande. A maioria dos meus solos naquele disco foi feita da mesma forma que faço agora: muito improvisada. Fiz o solo estendido em 'Warning' em apenas duas tomadas. A primeira ficou muito melhor do que a segunda, mas o nosso suposto produtor, que nunca tinha produzido um álbum na vida, decidiu colocar a segunda no disco sem nos consultar. Naquele álbum, usei minha Gibson SG (a mesma que usei nos próximos 10 anos) e um gabinete Laney ou Marshall. Nem tivemos tempo para trabalhar os timbres, apenas colocamos os microfones na frente dos gabinetes e começamos a tocar, como se fosse ao vivo."
Paranoid (1970)
"Acredito que o motivo pelo qual esse disco ficou tão bom foi porque tivemos muito tempo para trabalhar em todo o material. Estávamos tocando sete sets de 45 minutos por dia em um antigo clube empoeirado na Suíça, para um público que ia de três pessoas a duas dúzias. Ensaiar assim por seis semanas realmente nos deixou mais afiados. Também nos permitiu experimentar mais porque só tínhamos músicas suficientes para um set por dia, com certeza não para sete. Aquilo nos deu a chance de inventar coisas e rearranjar músicas existentes."
Master of Reality (1971)
"No álbum 'Master of Reality', começamos a ficar mais experimentais e a levar muito tempo para gravar. No final, acho que isso realmente nos confundiu. Às vezes, acho que gostaria de voltar à forma como gravamos os dois primeiros álbuns. Eu sempre preferi apenas entrar no estúdio e tocar, sem passar muito tempo ensaiando ou ajustando os sons. Tentamos gravar 'Into the Void' em alguns estúdios diferentes porque o Bill [Ward] simplesmente não conseguia acertar. Sempre que isso acontecia, ele começava a acreditar que não era capaz de tocar a música. 'Into the Void' foi a mais difícil de 'Master of Reality'. A tosse que abre o álbum sou eu mesmo! Ozzy puxou um baseado, e eu quase me sufoquei com aquilo — e eles gravaram! Eu não fazia ideia de que acabaria no disco."
"Nós escrevemos e gravamos 'Vol. 4' no Record Plant em Los Angeles, que foi uma grande distração para nós, e esse álbum acabou soando um pouco estranho. As pessoas envolvidas com a gravação realmente não tinham a menor ideia do que estavam fazendo. Todos estavam aprendendo conosco, só que nós também não sabíamos o que estávamos fazendo! A fase experimental que começamos com 'Master of Reality' continuou com 'Vol. 4', e estávamos tentando ampliar nosso som e sair da caixa em que nos colocaram."
Sabbath Bloody Sabbath (1973)
"'Sabbath Bloody Sabbath' foi um verdadeiro ponto de virada para nós. Começamos a ir mais por como achávamos que deveríamos soar do que por como as pessoas achavam que deveríamos soar. Como nos divertimos muito em L.A., então voltamos para lá para 'Sabbath Bloody Sabbath', esperando recriar o som de 'Vol. 4'. Musicalmente, gostávamos daquele som orientado às drogas [risos]. Voltamos para L.A. e alugamos a mesma casa, o mesmo estúdio, as mesmas drogas… tudo. Mas não conseguimos criar nada lá, então voltamos para a Inglaterra. Começamos a pensar que a banda não tinha mais aquilo, e sabíamos que tínhamos que fazer algo para recuperar. Alugamos um antigo castelo no País de Gales e ensaiamos em uma velha e assustadora masmorra. Depois de escrever 'Sabbath Bloody Sabbath', as coisas simplesmente voltaram a acontecer de forma rápida e furiosa."
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