O hit de Ritchie que abriu caminho estético que possibilitou surgimento do RPM
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de julho de 2023
Nos anos 1980, o rock nacional estava em evidência e muitas bandas acabaram experimentando sonoridades diferentes. No caso do RPM, os teclados do saudoso Luiz Schiavon sempre foram muito marcantes.
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Para que a gravadora compreendesse e aceitasse essa estética mais eletrônica, entretanto, foi fundamental que Ritchie tivesse lançado a música "No Olhar". Em entrevista ao Corredor 5, o cantor comentou sobre essa e outras de suas músicas.
"Essa música ‘Casanova’ é só baixo eletrônico, bateria e voz. Tem umas intervenções e só isso. Não tinha harmonia! É o Lulu Santos na guitarra. Lembro que fiquei chocado com essa proposta de ser algo mais cru. Hoje em dia, soa tão moderno quanto na época. Tem a ver com o tipo de música eletrônica que se faz hoje.
Mais focado na bateria. É uma faixa muito incrível. O arranjo é ousado para a época. Lembro que causou e foi abertura de novela. Esse baixo é feito no teclado também. Agora, a canção ‘No Olhar’ é nitidamente progressiva. O Arthur Dapieve, amigo meu e jornalista, disse: ‘Você tem noção que se você não tivesse gravado essa música, talvez não existisse o RPM?’ [risos]. É a mesma gravadora".
Confira a música:
A respeito desse caráter único do RPM, o produtor Luiz Carlos Maluly, que gravou discos históricos da banda, refletiu sobre isso em entrevista ao mesmo podcast. A transcrição foi de Gustavo Maiato.
"Eu como produtor gosto de me envolver e acho que consigo que as pessoas fiquem mais abertas. Eu já tive banda e fui guitarrista, por isso busco o novo. Vi que no caso do RPM esse novo tinha uma qualidade forte. Não era sobre garotinhas e festinhas. Tinha um discurso forte. O Paulo Ricardo tinha uma forma de cantar inglesa. A química com o Schiavon para compor foi ótima. O Deluqui, que não é virtuose, graças a Deus, me lembra muito Rolling Stones. Ele toca o que sente – é a essência da alma nos dedos da guitarra.
O P.A com energia tocando bateria. Não tinha como não se envolver. Minha postura como produtor não é de falar muito. Quando o produtor aparece muito, é como juiz de futebol. Ou ele quer aparecer ou quer trazer as atenções para ele. Sempre fui muito observador no estúdio e uso os elementos que a própria banda manifesta. Penso que as ideias absurdas no estúdio são as que trazem melhor resultado. O público gosta de ser surpreendido", disse.
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