O grave erro que artistas de rock e rap cometeram ao mesmo tempo, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de agosto de 2023
O rock não é tão popular quanto era nos anos 1980 e no caso do rap a história não é tão diferente. Mas por que será que esses estilos sofreram uma queda de popularidade? É o que explica Regis Tadeu em entrevista ao Avesso Podcast.
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"Na minha opinião, isso ocorreu não apenas no rock, mas também com o rap. Num determinado momento, particularmente na segunda metade dos anos 90, ambos os gêneros pararam de dialogar com as camadas mais populares do mercado. Isso resultou em uma transformação em algo um tanto elitista, com um discurso e uma postura que pareciam distantes da realidade das massas.
Quando artistas de determinados gêneros deixam de se comunicar com o público mais popular, isso cria um distanciamento e abre espaço para que esse público comece a explorar outras opções. Um exemplo disso foi o final dos anos 80, durante o governo do Collor, quando houve o aumento da popularidade das duplas sertanejas.
Isso se deu porque o mercado percebeu que muitos fãs de música sertaneja que antes viviam no interior haviam se mudado para as cidades, o que também levou a uma mudança na própria música. Assim, tanto no rock quanto no rap, quando ocorre essa desconexão com as camadas populares, uma parcela de mercado é perdida e surgem oportunidades para outras manifestações musicais".
Rock e popularidade
Não é a primeira vez que personalidades explicam o motivo de o rock estar em baixa. Em entrevista ao canal Corredor 5, no YouTube, a produtora cultural Mariana Leivas deu sua visão.
"Acho que uma hora o rock vai romper a bolha e voltar a crescer. Agora, ele foi todo para o outro lado. Com certeza, terá o momento do retorno do rock, mas para isso, ele precisa melhorar, né? Precisa estar mais para frente. Hoje, acabou ficando num lugar que são uns tiozões que botam bandana na cabeça para ver o Sepultura. Precisa modernizar isso. Ficou com um pessoal meio reacionário e a sociedade não estava para esse lado.
O rock precisa se conectar com as pautas mais sociais do que se acontece hoje. No rock sempre teve machismo e hoje o feminismo está sendo muito discutido. Só tem homem com visão antiga. A música é muito ligada a comportamento. Em um momento em que se discute uma luta contra o racismo e machismo... O rock tem aquilo da seita, né? Nunca muda nada. O cara que gosta de uma coisa diferente vai ser zoado. O rock exige de você uma coisa que as pessoas não querem mais ser. As pessoas querem ver o que está sendo discutido".
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