Como Bruce Dickinson driblou vazio existencial do sucesso precoce, segundo Bruno Sutter
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de outubro de 2023
Quem faz sucesso muito cedo pode ficar sem ter motivo para se empenhar e crescer na vida. Esse poderia ser o caso de Bruce Dickinson, conforme explicou Bruno Sutter durante sua participação no Guarda Volumes.
Bruno Sutter - Mais Novidades
Para o eterno Detonator, o fato de Dickinson realizar muitas tarefas distintas e não jogar todos os ovos no mesmo saco (da música) faz com que ele se motive mais e tenha para onde olhar mesmo depois de descer dos palcos.
"O Bruce Dickinson é realmente incrível, né? Com apenas 20 e poucos anos, já era uma estrela do rock. Ele buscava constantemente novos desafios, estudou esgrima e história, e mesmo sendo uma figura importante no Iron Maiden, começou a se interessar por aviação. Em determinado momento, ele saiu da banda porque tinha tudo o que queria, mas sentia a necessidade de algo novo. Isso ilustra a mentalidade empreendedora, sempre em busca de novidades, ao contrário de muitos rockstars que se autodestruíam.
Às vezes, não compreendemos completamente quando vemos de fora. Estamos sempre admirando aquele ponto em que alguém alcançou, mas para a pessoa, pode não ser suficiente. Há também o fator do apego. Mesmo alcançando o sucesso, algumas pessoas não conseguem se desapegar e buscam novas formas de preencher o vazio.
Eu acredito que, se algo não está dando certo, é preciso procurar outras coisas para substituir e seguir em frente. Novos projetos, novas ideias, é isso que impulsiona as pessoas. Antes mesmo de ouvir essa palestra do Bruce, eu já tinha essa mentalidade. Gosto de estar sempre fazendo coisas novas, como quando comecei a pilotar kart há quatro anos. Cada experiência agrega algo novo, e a prática esportiva me fez perceber a importância de estar sempre treinando e se aprimorando.
Ser um esportista fez de mim um cantor e performer melhores, pois a disciplina, a aprendizagem com as derrotas, são lições valiosas que podem ser aplicadas em qualquer área. Por exemplo, liderar as 500 milhas de kart foi uma realização incrível. Mesmo na música, é importante ter orgulho do passado, mas não se apegar a ele. Devemos buscar sempre a motivação e a paixão por fazer coisas novas.
O comentário sobre artistas mundiais que tiraram a própria vida levanta uma reflexão interessante. Pode ser que, ao se dedicarem exclusivamente a uma atividade por tantos anos, eles se fecharam em um mundo onde, ao retornarem para casa, encontram solidão e falta de atividades alternativas. A rotina intensa, mesmo com a adoração do público, pode tornar-se sufocante, levando a um estado mental prejudicial.
Portanto, é crucial ter uma diversidade de atividades e interesses ao longo da vida para manter o equilíbrio emocional e evitar esse isolamento prejudicial. O exemplo do Chorão, que vivia o auge nos palcos, mas enfrentava uma solidão profunda fora deles, destaca a importância de cultivar uma vida rica e multifacetada".
Bruce Dickinson e suas muitas profissões
Bruce Dickinson, o lendário vocalista do Iron Maiden, é uma figura multifacetada que transcende os limites de uma única profissão. Sua jornada é marcada por uma insaciável curiosidade e uma busca incessante por conhecimento em uma ampla variedade de campos.
Em uma recente participação no podcast "Next Level Soul" com Alex Ferrari, com transcrição de Bruce William, Dickinson compartilhou insights sobre o que o impulsiona a se destacar em tantas áreas além da música. Ele descreve sua abordagem como uma busca para entender profundamente como as coisas funcionam, recusando-se a aceitar superficialidades. Para ele, a chave é internalizar o conhecimento, mergulhando de cabeça em cada empreendimento.
A paixão é um elemento central em sua filosofia de vida. Dickinson acredita que é inútil investir tempo em algo pelo qual não se é verdadeiramente apaixonado. Ele expressa uma aversão à ideia de apenas tocar superficialmente em hobbies, destacando que a verdadeira paixão exige comprometimento constante.
A história de como se tornou piloto ilustra perfeitamente sua abordagem. Inicialmente, ele aprendeu a voar como muitos músicos e atores fazem, mas sua curiosidade o levou a questionar mais profundamente. Ao perceber que havia muito mais para aprender, não hesitou em buscar um emprego como piloto profissional, uma jornada que ele compara à sua entrada no Iron Maiden - uma série de eventos ao acaso que moldaram sua carreira.
Bruce Dickinson não apenas aceita desafios, mas os abraça de maneira audaciosa. Sua perspectiva única sobre o sucesso vai além da fama e fortuna, centrando-se na busca constante de conhecimento e na realização das paixões intrínsecas de sua alma inquieta.
Em resumo, Bruce Dickinson é um exemplo vivo de como a curiosidade, paixão e comprometimento podem impulsionar uma pessoa para além dos limites convencionais. Sua jornada inspira outros a não apenas se contentarem com o status quo, mas a abraçarem a variedade da vida com entusiasmo e dedicação.
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