A atual opinião de Paul McCartney sobre interferências de Yoko Ono nos Beatles
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de outubro de 2023
Em uma nova edição de seu podcast, Paul McCartney discutiu a relação de John Lennon com Yoko Ono, admitindo que a presença dela era uma "interferência no ambiente de trabalho".
Beatles - Mais Novidades
McCartney fez o comentário no programa "A Life In Lyrics", apresentado pelo poeta irlandês Paul Muldoon. Os episódios da série estão disponíveis para streaming semanal em todas as plataformas de podcast. A transcrição é da Far Out.
Uma segunda temporada de "A Life In Lyrics" já foi confirmada para fevereiro de 2024. Em cada episódio, McCartney analisa uma faixa do catálogo dos Beatles, e na última edição, ele refletiu sobre o relacionamento de Yoko com Lennon.
Ele explicou: "John e Yoko ficaram juntos e isso certamente teve um efeito na dinâmica do grupo. Coisas como Yoko estar literalmente no meio da sessão de gravação eram algo com o qual tínhamos que lidar. A ideia era que se John queria que isso acontecesse, então deveria acontecer. Não havia motivo para não acontecer."
McCartney continuou: "Qualquer coisa que nos perturba é perturbadora. Nós permitiríamos isso e não criaríamos caso. E ainda assim, ao mesmo tempo, eu não acho que nenhum de nós particularmente gostasse disso.
"Foi uma interferência no ambiente de trabalho. Tínhamos uma forma de trabalhar. Os quatro trabalhávamos com George Martin. E basicamente era isso. E sempre tínhamos feito assim. Então, por não sermos muito confrontacionais, acho que apenas engolimos e seguimos em frente", acrescentou McCartney.
No primeiro episódio do podcast, ele analisou a música 'Back In The USSR' dos Beatles e disse a Muldoon: "Chuck Berry escreveu uma música chamada 'Back In The US', com a qual estávamos muito familiarizados, e eu achava legal, obviamente era sobre um militar indo para casa."
"Era um pouco pró-EUA demais, porque estávamos no Reino Unido, então eu poderia brincar com isso do meu jeito. Quando vi que 'USSR' era algo parecido, percebi que poderia situá-lo de volta nos EUA e fazer uma pequena paródia da ideia de Chuck de estar de volta, e eu teria um cara russo que viera da América e ficaria feliz em estar de volta na Rússia. Ele viera de Miami pela BOAC, British Overseas Airways Corporation", acrescentou McCartney.
Beatles, John Lennon e Yoko Ono
Um artigo de André Garcia destaca uma das narrativas recorrentes no mundo do rock: a atribuição de Yoko Ono como a responsável pela separação dos Beatles. Embora existam controvérsias, é notável que John Lennon tenha concordado com essa hipótese.
O livro "All We Are Saying - The Last Major Interview with John Lennon and Yoko Ono" apresenta uma das últimas entrevistas concedidas por John e Yoko, conduzida por David Sheff e editada por G. Barry Golson. Nela, o fundador dos Beatles revela que a chegada de Yoko foi o divisor de águas que desfez a união da "gangue" que mantinha a banda coesa.
Lennon compartilha: "Minha velha gangue acabou no momento em que a conheci [Yoko Ono]. Na época, eu não estava ciente disso, mas foi o que aconteceu. Assim que a conheci, foi o fim da patota, mas acontece que aquela patota era famosa, não apenas os caras da vizinhança tocando no bar — eram caras que todo mundo conhecia."
Embora muito tenha sido dito sobre a irritação de Paul McCartney com a presença de Yoko no estúdio durante as gravações do "White Album", o documentário "The Beatles: Get Back", lançado como série pela Disney+ em 2021, apresentou uma perspectiva diferente. No documentário, o baixista riu da ideia de os Beatles se separarem por causa de Yoko, comentando de maneira descontraída: "Vai ser algo cômico dentro de 50 anos. Sabe, [as pessoas dizendo:] 'eles se separaram porque Yoko sentou no amplificador.'"
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