A opinião de Charles Gavin dos Titãs sobre a banda de metal Black Pantera
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de novembro de 2023
No último dia 20 de novembro, no Dia da Consciência Negra, enquanto o país refletia sobre as injustiças históricas, o músico Charles Gavin, membro icônico dos Titãs, compartilhou no Instagram suas impressões sobre uma das bandas mais impactantes do rock brasileiro contemporâneo: o Black Pantera.
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Gavin postou no seu Instagram uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo por André Barcinski destacando a relevância da banda como uma força combativa contra o preconceito racial.
O texto de Barcinski ressalta a luta constante contra as estruturas discriminatórias e racistas do "establishment", posicionando o Black Pantera como uma referência nesse enfrentamento. A banda se destaca não apenas por sua qualidade musical, mas também por abraçar uma postura combativa que ressoa com as discussões atuais sobre igualdade e justiça social.
Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho do Black Pantera, Gavin faz questão de recomendar: "Escutem e me digam". É um convite direto para explorar as sonoridades poderosas e as letras impactantes que caracterizam o som único da banda.
O Black Pantera, formado por Charles Gama (vocal e guitarra), Chaene da Gama (baixo) e Rodrigo "Shakal" Augusto (bateria), tem conquistado espaço não apenas na cena musical, mas também como porta-voz da resistência contra o racismo no Brasil. Suas letras provocativas e a fusão de elementos do metal, punk e hardcore refletem a força de uma banda comprometida em questionar e desafiar as normas estabelecidas.
Black Pantera e polêmicas
Em uma entrevista exclusiva concedida a João Gordo no programa Superplá, membros do Black Pantera compartilharam os bastidores de como foi tocar no mesmo dia dos polêmicos do Pantera.
Rodrigo Augusto, baterista da banda, revelou a pressão e as críticas enfrentadas pelo convite de última hora para participar do Knotfest: "Os caras falaram: ‘Como assim vão tocar no mesmo festival que o Pantera vai tocar?’. Temos que tocar."
No entanto, a expectativa de um possível confronto entre as duas bandas no palco foi rapidamente dissipada por Chaene da Gama, que ironicamente comentou: "Eu vi no Twitter o pessoal brincando de apostar porque o Black Pantera e o Pantera iam sair na porrada! Como assim! [risos]. A primeira coisa que falei no dia foi: ‘White Power é o caralho’. No palco! Não vi o Pantera. Vi o camarim e dei a volta. Perguntaram se eu queria conhecer o Pantera e disse que de jeito nenhum! Você tá doido? Não posso."
A entrevista também abordou a relação do Black Pantera com a música do Pantera. Charles Gama, guitarrista da banda, admitiu ter sido um grande fã, mas ressaltou a mudança após os incidentes protagonizados por Phil Anselmo: "Eu escutei muito Pantera, todos os álbuns. Só que depois daquele episódio veio uma amargura muito grande. Comecei a entender. Ele usa bandeira dos confederados."
A discussão sobre o simbolismo da bandeira confederada levantou questões históricas e sociais, com Chaene da Gama enfatizando: "Muita coisa da história acaba sendo esquecida. Esses estados queriam continuar escravizando os pretos. Não escuto mais a banda. Na hora do show eu fui embora. Fui tomar banho e não vi."
O Knotfest se tornou palco não apenas para performances musicais, mas também para debates sobre responsabilidade e posicionamento no cenário artístico, evidenciando a complexidade de conciliar a arte com as questões éticas e sociais. O Black Pantera, conhecido por seu discurso antirracista, enfrentou o desafio de compartilhar o palco com uma banda cujo líder carrega um passado controverso, reforçando a necessidade de reflexão e diálogo sobre a influência das personalidades artísticas na sociedade.
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