Luis Mariutti e esposa revelam desafios financeiros e baixo retorno na carreira musical
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de novembro de 2023
Em uma emocionante revelação, Luis Mariutti, renomado músico brasileiro e membro fundador das bandas Shaman e Angra, e sua esposa Fernanda Mariutti, abriram seus corações sobre as dificuldades financeiras e o baixo retorno que enfrentam em suas carreiras musicais. O desabafo foi no canal oficial de Luis.
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Fernanda Mariutti expressou a necessidade constante de "recalcular a vida", destacando que muitas vezes as escolhas repetitivas na vida precisam ser reavaliadas. Ela lamentou a perda de oportunidades, citando o exemplo do Shaman Reunion, onde muitos optaram por não comparecer, acreditando que haveria outros shows. Infelizmente, perderam a chance de presenciar a última performance de Andre Matos. Fernanda enfatizou a autenticidade como a base de seu retorno à música, evidenciada pelos comentários e visualizações significativas nos primeiros vídeos do canal do casal.
Por sua vez, Luis Mariutti fez um desabafo sobre os problemas enfrentados na busca por um retorno financeiro à altura de sua dedicação. Com uma carreira que quase chega a quatro décadas, Luis destacou a disparidade entre o reconhecimento elogioso de seu trabalho e o retorno financeiro insuficiente. "Poderia já estar aposentado, já trabalhei mais de 35 anos, mas continuo correndo atrás. Amo o que faço, mas o retorno não condiz com os quase 40 anos de carreira", desabafou o músico.
Mariutti revelou o desgaste físico e emocional ao viver na intensidade da vida noturna, enfrentando o barulho e participando ativamente em feiras e eventos, onde o casal muitas vezes assume a maioria das responsabilidades. Ele compartilhou a experiência recente de criar um curso completo, vendendo-o apenas após quatro décadas de carreira, o que o deixou abalado diante da falta de reconhecimento financeiro proporcional.
Ao mencionar a difícil situação financeira de Andre Matos antes de sua morte, Luis destacou a ironia de serem valorizados apenas após o falecimento. A entrevista reveladora do casal Mariutti lança luz sobre as complexidades e desafios enfrentados pelos artistas brasileiros, mesmo aqueles com uma trajetória musical notável.
A comunidade musical e os fãs agora se voltam para reflexões sobre o reconhecimento e apoio adequados a artistas em vida, em meio às dificuldades financeiras enfrentadas por figuras icônicas do cenário musical brasileiro.
Confira o desabafo abaixo.
Fernanda Mariutti:
"A vida, muitas vezes, precisa ser recalculada, sabem? Muitas vezes, o que fazemos repetidamente em nossas vidas é recalculado. Então, é isso que eu digo para vocês: aproveitem as oportunidades. Durante a reunião, muitos disseram: ‘Ah, eu não vou ao show do Shaman Reunion porque depois terá outro. Eles vão voltar.’ Perderam a oportunidade de ver o Andre Matos cantando pela última vez. Então, é isso. As coisas são como são. Não estamos acostumados a viver de fachada. Desde o dia em que decidimos voltar para a música, voltamos sendo autênticos com vocês. Tanto é que muitas pessoas têm assistido aos primeiros vídeos do canal ultimamente e têm sido bastante comentados. Nossa proposta é sempre ser clara. Não vamos nos desgastar por nada. Tudo o que queremos na vida, além das aspirações, é viver tranquilos"
Luis Mariutti:
"Chega uma hora que cansa, né? Porque é um trabalho duro. Então, precisamos de um retorno desse trabalho. Todo mundo que trabalha precisa. Retorno financeiro. Essa é a nossa principal dificuldade, falando claramente. A principal dificuldade do Mariutti Team é ter um retorno financeiro real. Pessoas maravilhosas elogiam nosso trabalho, falam do livro, disco, tudo. Nos dedicamos, mas o retorno financeiro não condiz com o trabalho. Poderia já estar aposentado, já trabalhei mais de 35 anos, mas continuo correndo atrás.
Amo o que faço, mas o retorno não condiz com os quase 40 anos de carreira. Faz a gente pensar se vale a pena todo o esforço, o desgaste. Vivemos na noite, com barulho, para tirar nossa energia. Fazemos tudo, vamos para a feira, temos amigos que ajudam, mas a maioria das coisas é feita por nós. A feira da música que fizemos há pouco nós ficamos lá 4 dias, 10 horas de pé, atendendo todo mundo, tirando foto, autografando. Isso já está desgastando demais.
Fiz um curso inteiro, de cabo a rabo, sobre baixo, gravando horas e horas, bolando e escrevendo. Vendi um curso apenas após 40 anos de carreira. Isso me deixou mal, e as pessoas acham frescura, mas fico mal mesmo. O problema sou eu? Chega, porque não é possível. Tem que parar mesmo. A gente só é valorizado depois que morre. O Andre Matos estava nessa situação ruim financeira quando morreu. Financeiramente mal, e as homenagens começaram só depois da morte".
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