A banda do rock nacional que Raul Seixas tirou sarro por não curtir o som
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de janeiro de 2024
Rick Ferreira, guitarrista e amigo íntimo de Raul Seixas, compartilhou curiosidades sobre as preferências musicais do lendário músico brasileiro. Raul, uma figura emblemática do rock nacional, construiu uma carreira sólida nos anos 1970, enquanto a década seguinte testemunhava a explosão do rock nacional com bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Blitz.
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Em entrevista a Júlio Ettore, Ferreira destacou a falta de afinidade de Raul Seixas com os Paralamas do Sucesso, revelando um apelido irônico que o músico atribuía ao grupo liderado por Herbert Vianna.
"Fica evidente que Raul Seixas não apreciava muito os Paralamas do Sucesso. Ele os chamava de 'Para-choques do Fracasso'. Raul não era fã da abordagem de ska apresentada por eles. Sinceramente, também não é um estilo musical que me emociona. Apesar de reconhecer a habilidade musical deles e outros méritos, Raul simplesmente não apreciava a banda", revelou Ferreira. "Ele também não tinha afinidade com o Tropicália, Bossa Nova e coisas do tipo. No caso dos Paralamas, era especialmente a questão do ska e do reggae."
Raul Seixas e as críticas ao rock nacional dos anos 1980
Em matéria de Bruce William, o jornalista explica mais sobre a problemática relação de Raul Seixas com o rock anos 1980 do Brasil. Conforme descrito por Sylvio Passos em "Raul Seixas por ele mesmo", o músico expressava mal-humor e pessimismo diante da realidade da década de 1980: "Os anos de 1980 são isto: nada. Então, se no atacado a coisa dançou, a gente tenta salvar algo no varejo".
Em uma entrevista em 1988, Raul criticou o rock brasileiro da época como ingênuo e carente de cultura, citando explicitamente o Ultraje a Rigor. A tese de doutorado de Lucas Marcelo Tomaz de Souza destaca que Raul, distanciado do cenário, não era lembrado como influência pelos novos artistas.
Marcelo Nova, um dos poucos da década de 80 com quem Raul manteve contato, descreveu sua parceria como um agradecimento aos serviços prestados pelo músico. O disco "A Panela do Diabo" tornou-se a despedida apropriada para Raul, então marginalizado, mas que, ao longo dos anos, seria homenageado por diversos artistas no Rock in Rio e além.
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