"Recebi ameaças de morte porque não era um disco típico de Heavy Metal", conta Bruce
Por Bruce William
Postado em 16 de março de 2024
Durante conversa com Felipe Machado, da Isto É, Bruce Dickinson explicou qual a diferença do processo criativo de compor para a carreira solo, com uma sonoridade mais roqueira, quando comparado ao Iron Maiden, que é mais Heavy Metal.
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"O Iron Maiden tem um som único e marcante, mas não é tão aberto. Há limites silenciosos, ou seja, sabemos quando uma determinada canção não é adequada para entrar em um disco da banda. Com minha carreira solo é mais livre, tento explorar maneiras e idéias fora do comum, inclusive na minha forma de cantar", responde Bruce.
Felipe então pergunta se a carreira solo é uma forma de ter controle criativo total, enquanto no Iron Maiden há outros parceiros, e o vocalista explica: "É como colocar uma foto em uma moldura diferente. A imagem está lá, mas passa uma percepção diferente. A música 'Resurrection Men', por exemplo, parece uma trilha de spaghetti western, uma coisa meio Tarantino. Outra canção tem como referência bandas mais novas, como o Queens of the Stone Age. Trabalhar assim é bom porque posso abordar cada música de uma maneira diferente. Por isso ele é tão variado e não soa como meus trabalhos anteriores".
Outra pergunta feita por Felipe para Bruce é se o gosto musical mudou ao longo dos anos, e se ele incorporou novas influências ao seu trabalho: "Sim, com certeza. Quando lancei o álbum 'Skunkworks', em 1996, recebi mensagens de ódio e até ameaças de morte porque não era um disco típico de Heavy Metal. Como alguém pode chegar a esse ponto? Acho que a mente das pessoas naquela época era mais estreita, não sei por qual razão. Hoje acredito que as pessoas têm uma quantidade tão grande de músicas à disposição que não se preocupam mais tanto. Alguns ainda ouvem a mesma coisa todos os dias, mas há muita gente que aprecia conhecer estilos diferentes. Continuam curtindo suas bandas favoritas, mas não precisam ouvi-las 24 horas por dia, podem variar".
O vocalista comenta ainda: "Arte é algo que depende da circunstância, do humor. Música é paixão, não pode ser tratada apenas como um produto". E por fim, ao ser perguntado se ouve as últimas tendências e as novas bandas, Bruce responde: "Não muito. Os músicos da minha banda solo costumam me apresentar artistas novos, mas muitas vezes nem sei os nomes, presto apenas atenção no som e na energia. Se é algo que mexe com meu cérebro, então vale a pena conhecer".
A entrevista completa de Felipe Machado com Bruce Dickinson, publicada na Isto É, pode ser vista nesse link.
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