O profundo significado do termo "Eu sou" que se repete em "Gita" de Raul Seixas
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de maio de 2024
A música "Gita" é uma das mais célebres de Raul Seixas e foi lançada no álbum de mesmo nome de 1974. A letra traz a expressão "Eu sou" que se repete várias vezes, mas o que será que isso significa?
Para compreender é preciso decifrar o tema central da música, que de acordo com o site Metropoles foi inspirada num livro sagrado hindu que traz diálogo baseado nessa repetição do termo citado.
Raul Seixas - Mais Novidades
"Foi inspirada no seguinte trecho do livro sagrado hindu Bhagavad Gita, em um diálogo entre o discípulo Arjuna e seu mestre Krishna, uma das manifestações de Deus, que diz: 'Eu sou o ritual e também o sacrifício. Eu sou a oferenda, eu sou a erva, eu sou todos os mantras, eu sou todo o perfume, e também o fogo que consome o sacrifício.
Eu sou o eixo que sustenta o universo, o pai, a mãe e o avô. Eu sou o objeto do verdadeiro conhecimento. Eu sou o princípio e o fim. A origem, a fundação e a destruição. A substância e a semente eterna, que jamais deixará de dar frutos. Eu oferto o calor e a luz do sol. Eu comando e retenho a chuva. Eu sou tanto a morte, quanto a imortalidade. Eu sou tudo o que existe no tempo e, não obstante, eu sou sempre um e o mesmo, ó Arjuna'".
Já o site A Psiquê e o Mundo reflete sob a luz da psicologia sobre as várias formas que Raul Seixas fala de si mesmo na letra com essa repetição do "Eu Sou".
"Ele se revela como tendo várias faces e passa a falar de si de forma muitas vezes ambígua. Psicologicamente, essa menção a Deus como "Eu sou" ou "Eu sou o que sou" o revela como a fonte do ego, da identidade pessoal do indivíduo. É este "Eu sou" que seria, como arquétipo, interiormente, a fonte do eu ao qual as pessoas em geral se referem quando dizem: "Eu sou (ou não sou) assim", "Eu (não) gosto disso" ou "Eu (não) faço isso".
Este é o eu subjetivo, ou ego. Já o primeiro, a figura de Deus, enquanto uma totalidade que abrange qualidades até opostas, seria o que se chama de Si-mesmo, a identidade objetiva, isto é, que é inata, que nasce com todo sujeito, que não depende da consciência ou subjetividade do indivíduo para existir, e que pertence a toda a humanidade. A relação entre o ego e o Si-mesmo é de difícil compreensão e corresponde, de maneira bem aproximada, à relação entre o homem e seu Criador, tal como é retratado nos mitos. O mito é a expressão simbólica da relação entre o ego e o Si-mesmo
Por fim, o Letras.Mus fala sobre "entidade onipresente" ao citar essa característica da canção. "A letra segue descrevendo o eu lírico como uma entidade onipresente e multifacetada, que é tudo e nada ao mesmo tempo. Essa dualidade reflete a complexidade do ser humano e a dificuldade de se definir em termos absolutos".
Confira a letra completa abaixo.
Eu, que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando
Foi justamente num sonho que Ele me falou
Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado
Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar
Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou
(Gita! Gita! Gita! Gita! Gita!)
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contramão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar
Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim
Das telhas, eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos, eu sou o amor
Eu sou a dona de casa
Nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo
(Gita! Gita! Gita! Gita! Gita!)
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão
Eu, mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Terra do Black Sabbath, Birmingham quer ser reconhecida como "Cidade da Música"
A cantiga infantil sombria dos anos 1990 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
As bandas que formam o "Big Four" do metal oitentista, segundo o Loudwire
Jack Osbourne expõe "banda gigante" que exigiu quantia absurda no último show de Ozzy
A joia cearense que gravou um clássico do rock nos anos 1970, segundo Regis Tadeu
Cinco dicas úteis para quem vai ao Bangers Open Air 2026
A música do Faith No More que nasceu no dia em que o mundo soube da morte de Kurt Cobain
Lars Ulrich, do Metallica, acha que Bon Scott é o vocalista mais legal de todos os tempos
O pior músico com quem Eddie Van Halen trabalhou; "eu tinha que ensinar todas as partes"
A música que mudou a história do Dream Theater e a vida de Mike Portnoy
A atração do Rock in Rio que "as pessoas já viram 500 vezes"
O disco que é o precursor do thrash metal, segundo Max Cavalera
O que "Nine Inch Nails" quer dizer, e como Trent Reznor chegou nesse curioso nome
A melhor música do "Black Album", do Metallica, segundo a Metal Hammer
Mille Petrozza explica por que sonoridade do Kreator mudou na década de 90


"O Raul, realmente é pobre também assim, é tosco"; Guilherme Arantes entende fala de Ed Motta
O que Titãs e Camisa de Vênus têm que outras do rock não têm, segundo Raul Seixas
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
Como trajetórias de Raul Seixas e Secos & Molhados se cruzaram brevemente


