A guitarra maldita que foi de Lemmy e Ian Anderson, do Jethro Tull
Por Bruce William
Postado em 31 de julho de 2024
Já contamos aqui no Whiplash.Net que, inicialmente, a ideia de Ian Anderson era tocar guitarra, mas ele acabou passando para a flauta por causa do Eric Clapton. Mas ele deixa claro que é o Clapton de uma determinada fase da carreira.
"O Eric Clapton que me refiro é aquele lá de 1966 que tocava com John Mayall & The Bluesbreakers, que era muito radical no sentido de ser um guitarrista muito fluente. Havia na época muitos aspirantes a guitarristas, incluindo eu. E Clapton foi, dentro do contexto do Blues, um músico muito evoluído e articulado", explicou Ian.
Em 1967 ele já havia formado uma versão inicial de sua banda, Jethro Tull, mas na época eles tocavam músicas de blues tradicionais, porque ele não acreditava que houvesse muitas outras opções. "Nós viemos de um período em que, para conseguir um show - quanto mais um contrato de gravação - você tinha que estar em uma banda de blues ou em um grupo pop", disse Anderson em entrevista à Classic Rock. "Mas, ali na beirada, havia Captain Beefheart e a Graham Bond Organization, bandas muito diferentes do purismo do blues norte-americano, o que foi muito importante para o desenvolvimento do Jethro Tull".
Ele conta que quando o Pink Floyd lançou "The Piper at the Gates of Dawn" e os Beatles lançaram "Sgt. Pepper", ele compreendeu que ele poderia fazer algo completamente diferente, saindo totalmente da zona de conforto do blues convencional. E foi nessa época que ele decidiu mudar de instrumento. "Eu estava tocando guitarra e harmônica, mas como guitarrista, eu nunca seria tão bom quanto Eric Clapton, simples assim. Então, me despedi da minha Fender Strat, cujo dono anterior havia sido Lemmy Kilmister, que na época era o guitarrista rítmico dos Rockin' Vickers, e comprei uma flauta, sem nenhum motivo específico, apenas por ela brilhar e parecer bonita".
Quando Lemmy teve problemas com um músico do Motorhead por não tocar baixo de maneira tradicional
Durante uma conversa com Jeb Wright do Classic Rock Revisited, foi perguntado para Lemmy se a forma peculiar de tocar baixo havia causado problema com algum dos integrantes do Motorhead: "Eu toco baixo como guitarra rítmica", explicou Lemmy. "E Brian Robertson (que esteve na banda entre 1982-1983) teve problemas com isso porque ele sempre reclamava que sentia falta do baixo. Eu diz pra ele: 'O que te faz pensar que eu quero um (som de) baixo?'"
Jeb então questiona por que ele não poderia simplesmente tocar guitarra na banda, e Lemmy responde: "Eu era um guitarrista, mas eu era tão medíocre que mudei para o baixo". Jeb então conta a história que Ian Anderson dizia ter comprado um instrumento que havia sido do Lemmy. "Eu não sei. É possível que ele tenha acabado com uma das minhas guitarras. Ele estava na The John Evans Blues Band nos anos 60 e eu estava nos The Vicars. É muito possível que ele tenha acabado com uma das minhas guitarras. Quando eu saí dos The Vicars a guitarra ficou. Era uma guitarra que pertencia à banda. Quando as pessoas saíam da banda os instrumentos ficavam, e eu acho que isso fazia muito sentido. Se você precisa de um guitarrista mas ele não tem uma guitarra você tem uma para ele usar. Quando ele sai, você tem uma para o próximo cara, então você não precisa ficar correndo atrás de guitarras".
Quando Ian Anderson emprestou dinheiro para Lemmy e nunca mais recebeu
A história contada por Ian Anderson é um pouco diferente, conforme entrevista ao jornalista John Robb, com transcrição feita pelo Rock And Roll Garage, onde Ian conta mais detalhes: "Eu conheci o Lemmy (nos primeiros dias em Blackpool, Inglaterra). Eu sempre me lembro, da última vez que vi o Lemmy. Muitos, muitos anos atrás, eu lembrei a ele que ele ainda me devia uma libra. Porque quando ele estava absolutamente... Ele estava sempre sem dinheiro. Lemmy nunca tinha dinheiro. Ele sempre tentava pedir uma cerveja ou uma passagem de ônibus a alguém. Eu também não tinha dinheiro. Mas eu emprestei uma libra para Lemmy e, claro, nunca a recebi de volta".

Anderson prossegue: "Lemmy era o guitarrista rítmico no Rev Black and the Rockin' Vicars. Quando a situação dele ficou realmente complicada, ele foi forçado a vender sua Fender Strat branca vintage dos anos 60 de volta à loja de música onde todos nós íamos. Acabei pegando essa Strat em uma espécie de termos de compra a prazo por um ano ou algo assim. Até que desisti de tocar guitarra e troquei a Strat por um microfone Shure Unidyne III e, sem uma razão particularmente boa, uma flauta brilhante".
"Então, o total geral foi algo como 60 libras de flauta e microfone contra a guitarra que hoje provavelmente valeria 40 ou 50 mil dólares, mesmo se você não soubesse que tanto Ian Anderson quanto Lemmy foram donos dela. Parecia um acordo financeiro bem ruim. Mas, na verdade, foi provavelmente um dos melhores negócios que já fiz (risos)", disse Ian Anderson.
Ian matou a charada, pois ao invés de maldita, que é o que aparenta ser a princípio, já que dois músicos do calibre de Ian Anderson e Lemmy tiveram o instrumento em mãos e foram tocar outra coisa, talvez a guitarra em questão - que nunca apareceu - tenha sido na verdade uma dádiva dos Deuses do Rock, pois graças a ela esses dois grandes Rockstars encontraram seus verdadeiros caminhos!
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