"Ninguém mais jovem conhece o Nirvana ou Pearl Jam", diz Gene Simmons
Por João Renato Alves
Postado em 02 de dezembro de 2024
Uma das maiores polêmicas envolvendo a carreira de Gene Simmons foi suas declarações recentes sobre o rock estar morto. O baixista e vocalista do Kiss entende que os movimentos da indústria inviabilizaram que novos talentos no estilo estabeleçam carreiras, por maior que sejam seus talentos.
Em entrevista ao The Zak Kuhn Show, o músico foi questionado se mantém essa opinião ou algo mudou nos tempos atuais. Ele respondeu, conforme transcrição do Blabbermouth: "Segue a mesma coisa. E as pessoas não entendem como posso dizer isso quando todos nós temos nossas músicas favoritas e amamos nossas bandas favoritas — você, eu e todo mundo. Mas o que quero dizer é que... Bem, vamos jogar um jogo, e eu já fiz isso antes. De 1958 a 1988, são 30 anos. 30 anos. Então, o que aconteceu durante esse período? Bem, tivemos Elvis [Presley], tivemos Beatles, Stones, Jimi Hendrix, tudo isso, Pink Floyd, os artistas solo, David Bowie, músicas que durarão para sempre, ou ao menos gostamos de pensar assim.

No mundo da discoteca, você tinha Madonna, guitarras mais pesadas, você tinha — Oh Deus — AC/DC e todo mundo, Aerosmith e assim por diante. E você tinha Motown ao mesmo tempo. Você tinha Prince. Era um menu musical muito, muito rico. Podia subir e descer. Você tinha bandas de prog, você tinha Yes, Genesis, Gentle Giant, e vocês tinham as bandas pesadas, Led Zeppelin e assim por diante. E de 1988 até hoje, são quase 40 anos, certamente 35 anos. Quem são os novos Beatles?"
Quando o apresentador mencionou o Nirvana, Gene contra-atacou: "Pare. Estamos cegos. Sou um grande fã. Se você andasse pela rua e perguntasse a um jovem de 20 anos: 'Quem é o baixista do Nirvana?', ele não saberia do que você está falando. Ou: 'Você consegue cantar uma música do Nirvana?' Não, não. Os Beatles e, em menor grau, Stones e Elvis, todo mundo conhecia. Se você odiava rock, você sabia sobre eles. A propósito, sou iludido o suficiente para acreditar em alguns relatórios de mercado sobre como os rostos do Kiss são os mais reconhecidos do planeta. E eu já tentei isso antes. Você anda pela rua, pergunta aleatoriamente às pessoas: 'Quem está no Monte Rushmore?' Eles dirão: 'Uh, Elvis.' Eles não vão entender, mas conhecem essas quatro caras em qualquer lugar que você vá. Eles podem odiar a banda, mas você não pode negar isso.
Então, Nirvana é uma das minhas bandas favoritas. Se você perguntar a alguém que tem 20 anos ou algo assim, há uma diferença de gerações, 'Diga o nome de uma música', eles não seriam capazes de dizer. 'Quem é o baixista?' Não faço ideia. E, a propósito, eu sei disso porque uma das outras amostras é do meu filho, que não tem mais aquela idade quando tinha um pouco mais de 20 anos. Ele viu uma garota bonita — ele está me contando a história — ele viu uma garota bonita e ela estava usando uma camiseta dos Rolling Stones, com a língua e o nome deles. E ele se aproxima, e sua primeira fala é, 'Ah, então você é fã, hein?' E ela diz algo como, 'Sim. De quê?' E Nick, meu filho, diz, 'Você sabe, Stones.' Ela diz, 'Stones?' Ele diz, 'Sim, Rolling Stones.' Ela responde, 'Rolling Stones? O que é isso? Uma banda?' Nick diz, 'Você está brincando? Você está usando a camiseta deles.' E ele estava me dizendo que ela olhou para baixo e disse, 'Oh, oh, eu simplesmente gosto da camiseta'
E Nick disse, 'Você deve conhecer Rolling Stones. Você conhece 'Satisfaction'.' [cantarola riff] 'Não. Nunca ouvi.' Ele passou por algumas outras músicas. ‘Nunca ouvi essas músicas’. E ele disse, 'Você nunca ouviu falar de Mick Jagger?' E ela disse, 'Mick Jagger? Ah sim, sim. Eu ouvi...' O que estou prestes a lhe dizer, juro por Deus, é verdade. Sem exagero. Ela diz, 'Mick Jagger. Ah sim, o serial killer.' Qualquer coisa que você acha que é lugar-comum que as massas sabem, elas não sabem. Muito poucas coisas que todo mundo sabe."
Depois que Simmons pediu a Kuhn para nomear duas outras bandas que poderiam ser os novos Beatles, Zak mencionou Pearl Jam, levando Gene a dizer: "De jeito nenhum. Claro, eu amo Foo Fighters. Eu amo essas bandas. Mike McCready me disse que cresceu com discos do Kiss. Na verdade, um de seus solos... ele pegou nota por nota de Ace Frehley. Mas esse não é o meu ponto. O que quero dizer é que se você andar aleatoriamente pela rua e perguntar ao primeiro jovem que encontrar: 'Diga-me o nome de alguém do Pearl Jam', boa sorte com isso. 'Diga-me o nome ou me diga uma música. Cante uma música.' Eles não conseguem. Você e eu estamos cegos porque estamos muito próximos disso.
Então aqui está algo que o resto do mundo sabe, mas nós não. Quem é o primeiro-ministro da Inglaterra? Diga-me quem é o primeiro-ministro da França. Diga-me quem é o primeiro-ministro do Canadá. Dave Grohl se tornou muito mais popular. Eles podem conhecer Dave porque ele fez comerciais de TV e meio que conviveu com pessoas fora das guitarras e shows. É assim que você se torna um ícone. Então, se eu disser Snoop Dogg, todo mundo sabe quem é, mas se você mencionar outros rappers que podem realmente ser grandes estrelas do rap — M.C. Criminal ou o que quer que seja; eu acabei de inventar isso — as massas não teriam ideia. É porque Snoop atua na mídia — ele teve um programa de TV com Martha Stewart, e esse tipo de coisa. Então as massas não têm ideia de quem está no Phish, uma das minhas bandas favoritas, ou no Pearl Jam. Eles não teriam a mínima ideia, a menos que você seja um fã."
Simmons conclui o longo raciocínio voltando a falar sobre a própria banda, que encerrou atividades como banda de palco, mas segue com os rostos expostos em produtos e em breve retornarão aos espetáculos como avatares.
"Mesmo quem não nos ama conhece nossos rostos. Nem todo mundo ama Jesus também. Esse não é o ponto. A fama em si é a recompensa máxima. Nem todo mundo vai gostar de você, mas eles te conhecem. Temos um fotógrafo que está conosco há — não sei — 40 ou 50 anos, e ele fez todo mundo — Stones, Zeppelin, todo mundo. E ele é um verdadeiro aficionado por música. Ele coleciona pôsteres e coisas assim. Ele odeia Beatles, sempre odiou — não suporta ouvi-los — mas ele sabe quem eles são John, Paul, George, Ringo. Você sabe quem é Jesus. Nem todo mundo gosta dele. Mesmo as pessoas que odeiam a ideia disso, elas ouviram o nome e sabem quem ele é. A fama é a recompensa máxima."
Gene Simmons segue na estrada com sua banda solo. Após uma breve turnê em 2024 – que teve início em São Paulo, na derradeira edição do Summer Breeze Brasil –, o músico promete novidades para o ano que vem.
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