Rafael Bittencourt, do Angra, assina laudo que pretende atestar plágio de Adele
Por Bruce William
Postado em 19 de janeiro de 2025
Rafael Bittencourt, integrante do Angra, está elaborando um laudo técnico que busca comprovar que a canção "Million Years Ago", da cantora britânica Adele, é um plágio do samba "Mulheres", de Toninho Geraes. A solicitação foi feita pela advogada de Geraes, Deborah Sztajnberg, que conduz o processo judicial contra a artista e sua gravadora.
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Lançada em 2015 como parte do álbum "25", "Million Years Ago" é assinada por Adele e pelo produtor Greg Kurstin. Já "Mulheres" foi gravada por Martinho da Vila em 1995 no álbum "Tá Gostoso, Tá Delícia". A ação movida pelo autor Toninho Geraes solicita que "Million Years Ago" seja removida de todas as plataformas e não mais executada por Adele, além do repasse proporcional dos direitos autorais arrecadados desde seu lançamento e uma indenização de R$ 1 milhão.
Segundo Bittencourt declarou para o jornal O Globo, seu laudo busca demonstrar que a semelhança entre as músicas é significativa e pode configurar plágio. Ele aponta uma "sincronicidade perfeita" entre melodia, ritmo e harmonia. "Existem muitas coincidências para que tudo não passe de pura coincidência", explicou o músico. "As duas obras podem ser executadas simultaneamente sem cacofonia, sem comprometer a harmonia, a ideia rítmica ou a melodia."
Para facilitar a compreensão, Bittencourt fez uma analogia: "Imagine pedir para várias pessoas desenharem um trem com uma locomotiva e sete vagões, representando a regra dos oito compassos musicais. Os vagões podem ter tamanhos diferentes. E cada um deles deve ter pelo menos quatro camadas com texturas e cores diferentes. Qual a chance de duas pessoas, no mundo todo, desenharem praticamente o mesmo trem?" O músico também acredita que o possível plágio não foi intencional, mas fruto do que chama de "absorção inconsciente", quando artistas criam algo inspirado em músicas que ouviram anteriormente sem se dar conta de sua origem.
A defesa de Adele e da Universal Music contesta as alegações, afirmando que as semelhanças são baseadas em um clichê musical amplamente utilizado, a Progressão de Acordes pelo Círculo de Quintas. Para Bittencourt, esse argumento é "uma tentativa desesperada de justificar uma coincidência quase exata", reforçando a importância de os músicos verificarem a originalidade de suas composições antes de lançá-las.
Deborah Sztajnberg elogia o trabalho de Bittencourt, destacando sua capacidade de aliar conhecimento técnico e didatismo. Segundo ela, a escolha do músico foi estratégica: ele não é sambista, tem reconhecimento internacional e possui formação clássica sólida, o que evita qualquer alegação de parcialidade. A advogada acredita que o laudo terá um impacto significativo no julgamento.
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