Lemmy não ligava para religião, mas havia um conceito espiritual que mexia com ele
Por Bruce William
Postado em 20 de fevereiro de 2025
Lemmy Kilmister nunca teve paciência para religiões. Em entrevistas, o líder do Motörhead frequentemente fazia pouco caso do assunto. Em 2010, por exemplo, durante conversa com a Radio Metal da França, ao ser questionado se o rock seria uma religião, ele riu e citou um ex-integrante do Korn que abandonou a banda para seguir o cristianismo.
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Em outra fala, ao abordar a ocasião em que o festival francês Hellfest foi criticado por grupos religiosos, Lemmy reagiu com ironia. "Religião é estúpida de qualquer maneira. Uma virgem fica grávida de um espírito? Você nunca se sairia com isso num tribunal de divórcio", disse ele na época.
Já em 2012, a SF Weekly colocou para Lemmy: "Seu gosto por Jack Daniel's e Coca-Cola é muito bem conhecido, e é muito claro em algumas das letras das suas canções que você não tem tempo para a religião. Você está atualmente em turnê com o Megadeth (Gigantour), que tem dois membros que estão sóbrios e são cristãos renascidos", que respondeu: "Bem, a grande coisa sobre a minha filosofia é viver e deixar viver. Eu não me importo se você quer adorar o Great Poobah, no céu, desde que você não espere que eu faça isso também. Ninguém até agora pregou para mim, nesta turnê, então está tudo bem."
Na verdade, já em 2004 Lemmy havia admitido claramente que não era religioso, e relatou uma história familiar: "Meu pai era um padre. Vigário anglicano, da Igreja da Inglaterra. Ele nos deixou quando eu tinha três meses de idade, então isso já fez a religião cair por terra logo ali. Depois, minha mãe quis se casar com meu padrasto, que era católico romano - ele sempre foi devoto. Então ele escreveu para o Vaticano pedindo permissão para casar com minha mãe porque ela era divorciada. Eles mandaram uma carta - isso vindo do Vaticano, certo? Do maldito Papa - dizendo que ele só poderia se casar com minha mãe se declarasse que eu era ilegítimo. Isso é a igreja, cara. Então ele escreveu de volta e disse: 'Excomunguem a minha bunda.' E eles excomungaram. Pelo que eu vi, isso não pareceu atrapalhar a felicidade dele nem um pouco."
Mas mesmo sem acreditar em um Deus ou no conceito tradicional de vida após a morte, Lemmy admitiu que se houvesse algo que fazia sentido para ele, seria a reencarnação. Na tal entrevista de 2004 para a Classic Rock, resgatada pelo Rock And Roll Garage, ele explicou sua visão.
"Se eu acredito em alguma coisa, acredito em reencarnação. Porque você tem flashes de memória de algo que nunca conheceu antes. E há períodos históricos que te interessam muito, enquanto outros, que são igualmente interessantes, não te dizem nada." Para ele, essa conexão com certos períodos poderia ser um indicativo de vidas passadas. "Acho que é porque você estava vivo naquela época. Isso faz sentido para mim. Mas quem disse que precisa fazer sentido? Talvez seja só outro tipo de pensamento desejoso", refletiu.
Mas mesmo considerando a ideia da reencarnação, Lemmy não levava nada disso muito a sério. "Deus é uma muleta para quem não sabe quem é", afirmou. "Se existe um lugar para onde vou, é o inferno. Afinal, é lá que estão todas as mesas de sinuca", concluiu o saudoso músico, que nos deixou em dezembro de 2015, aos 70 anos de idade.
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