Por que Alice Cooper não aprova mensagem de "Imagine", de John Lennon?
Por João Renato Alves
Postado em 27 de março de 2025
John Lennon e Alice Cooper tiveram uma convivência próxima em meados dos anos 1970. No período em que o Beatles esteve separado de Yoko Ono, ele foi membro honorário do Hollywood Vampires – homenageado atualmente no supergrupo que o cantor americano comanda junto a Joe Perry (Aerosmith) e Johnny Depp.
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À edição 83 da revista Classic Rock, publicada em 2005, o alter ego de Vincent Furnier falou sobre a influência do britânico em sua obra. "Há músicas minhas que as pessoas disseram que soavam como ele. Quase todas as baladas que fiz têm esse tipo de sentimento. Mas não penso em John Lennon quando as escrevo."
Alice ainda admitiu não se identificar com a canção solo de maior sucesso do amigo: "Imagine", faixa-título do álbum de 1971. "A mensagem diz ‘Somos só nós e estamos no controle.’ Eu sou cristão. Espero que haja um poder superior que esteja no controle de todos nós. ‘Imagine’ é uma música escapista. É universalismo. Ela diz que todos os caminhos levam ao céu, o que não é algo em que eu acredito."
Para o cantor, a ideia de que somos todos iguais, presente na canção, não reflete seu pensamento. "É basicamente o que John está dizendo ali. Seria legal se ninguém brigasse, se ninguém fosse mais rico ou mais sábio ou mais engraçado que o outro, se isso e aquilo e isso. E seria muito chato. A dinâmica das nossas vidas é toda diferente. É uma ótima canção musicalmente falando, mas totalmente oposta ao que eu acredito."
"Imagine" se tornou um hino mundial pela paz, ganhando ainda maior significado após o assassinato de seu compositor. É uma das canções mais regravadas de todos os tempos. O álbum foi o trabalho solo mais popular do Beatle, chegando ao número 1 das paradas americana e britânica.
As gravações se dividiram entre Inglaterra e Estados Unidos, contando com as participações de músicos como George Harrison, Nicky Hopkins, Klaus Voormann, Alan White e Jim Keltner, além dos membros do Badfinger. Yoko Ono e Phil Spector assinaram a produção junto de John.
As letras refletiam as posições ideológicas, políticas e sociais do protagonista, assim como suas experiências com a terapia primária e os conflitos com Paul McCartney. As sessões foram quase que totalmente filmadas, gerando vários documentários. O mais recente, "John & Yoko: Above Us Only Sky", saiu em 2018.
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