A grande inspiração para Mark Knopfler na guitarra; "só depois descobri que era ele tocando"
Por Bruce William
Postado em 01 de março de 2025
Mark Knopfler sempre teve um estilo único de tocar guitarra. Desde os primeiros dias do Dire Straits, seu jeito de tocar sem palheta e a fluidez dos solos chamavam atenção, criando uma sonoridade que parecia vir direto do subconsciente. Ao longo da carreira, ele demonstrou influência de grandes nomes do blues e do rock, mas uma das maiores inspirações para seu estilo veio de um músico que nem sempre recebe o crédito devido: Chet Atkins.

Knopfler cresceu ouvindo os Everly Brothers, fascinado pelas harmonias vocais e pelo som envolvente das músicas. O que ele não sabia, na época, era que muitos daqueles arranjos vinham da guitarra de Chet Atkins. "Os Everly Brothers foram os maiores para mim, mas só depois descobri que era ele tocando", revelou em entrevista resgatada pela Far Out. Esse detalhe fez toda a diferença em sua formação, pois Atkins não apenas acompanhava as canções, mas criava camadas melódicas que se integravam perfeitamente ao conjunto.
A relação entre Knopfler e Atkins evoluiu de admiração à colaboração. Em 1987, os dois se apresentaram juntos no evento beneficente "The Secret Policeman's Third Ball", onde executaram um medley instrumental que incluía "I'll See You in My Dreams" e "Imagine". Essa performance destacou a química musical entre eles e pode ser conferida no vídeo abaixo.
Três anos mais tarde a dupla lançou o álbum colaborativo "Neck and Neck", mesclando blues, country, e jazz. O disco conta com faixas instrumentais e outras cantadas, como "There'll Be Some Changes Made", "Poor Boy Blues" e "So Soft Your Goodbye", que inclusive renderam Grammy em categorias de música Country. A química entre eles é evidente e mostra que, além da influência, havia uma grande admiração mútua.
A influência de Atkins foi além da técnica. Knopfler nunca precisou de velocidade ou pirotecnia para construir solos inesquecíveis. Ele buscava algo mais sutil, uma abordagem que priorizava o gosto pela melodia e a expressividade de cada nota. Esse estilo se tornou sua assinatura, perceptível tanto no Dire Straits quanto em colaborações com nomes como Bob Dylan e Tina Turner.
Seja no clássico riff de "Money for Nothing" ou nos dedilhados delicados de "Romeo and Juliet", a influência de Chet Atkins continua presente na forma de Knopfler tocar, provando que o impacto de um músico pode ir muito além dos holofotes.
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