O dia em que Bruce Dickinson corrigiu Kiko Loureiro tocando "Tears of the Dragon"
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de maio de 2025
A relação entre o Angra e Bruce Dickinson não é de hoje. Fãs mais atentos certamente se lembram do lendário show em Paris, no ano 2000, quando o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco ao lado da banda brasileira para cantar Flight of Icarus e Run to the Hills. O momento histórico marcou a admiração mútua entre os músicos e estabeleceu uma conexão que se estenderia por outras ocasiões.
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Uma delas foi tema de uma conversa descontraída no podcast Amplifica, apresentado por Rafael Bittencourt, guitarrista e fundador do Angra. O convidado da vez era Kiko Loureiro, ex-integrante da banda e ex-guitarrista do Megadeth. Durante o bate-papo, Kiko relembrou o dia em que tocou com Bruce em um estúdio de rádio — e acabou sendo corrigido por ele no meio da música.
"Estávamos ensaiando no estúdio do Thiago Bianchi, em Pinheiros, e rolou essa oportunidade de tocar com o Bruce Dickinson numa rádio. Ele ia divulgar o show solo dele e precisava de alguém para acompanhá-lo num acústico de Tears of the Dragon", contou Kiko.
Segundo ele, a ocasião surgiu de forma inesperada: "A gravadora Eldorado empurrou a gente pra essa. Era uma chance de ouro, claro. A gente foi, passou a música no ensaio e já aproveitou pra inventar um reggae nosso no meio do solo, como o Roy Z tinha feito na gravação original."
Rafael, rindo, lembra que Bruce não foi avisado da brincadeira: "A gente mandou do nada. O Bruce tava cantando ao vivo e a gente entrou com um solo vocal improvisado no meio da música. Eu olhei pra ele e pensei: ‘Ele vai curtir isso’. Mas ele parou na hora!"
O momento mais curioso veio logo depois. Kiko explica: "Na hora de tocar o refrão, eu fiz um acorde de dó. Ele parou, foi até mim, apontou meu dedo e falou: ‘Não, não, é um dó com sétima maior’. Ele não sabia o nome do acorde, mas sabia exatamente o som que queria ouvir."
O detalhe surpreendente marcou Kiko até hoje: "Tínhamos acabado de passar a música, estávamos ali, de improviso. E ele teve essa precisão. Isso diz muito sobre o ouvido e o profissionalismo dele."
Outro ponto que chamou atenção foi a potência vocal de Bruce. "Estávamos todos sentados, com violão, naquele estúdio minúsculo de rádio. E o Bruce em pé, cantando atrás da gente, parecia uma cabine telefônica! Ele cantava tão alto que dava até dor de cabeça", brincou Rafael. "O Andre Matos era super afinado, mas cantava baixo. Já o Bruce… era impossível não ouvir!"
Confira a entrevista completa abaixo.
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