A banda que atacava o Pink Floyd, mas Roger Waters sabia que não eram de nada
Por Bruce William
Postado em 22 de junho de 2025
No auge do punk britânico, atacar gigantes do rock progressivo era quase obrigatório. Para o Sex Pistols, ninguém simbolizava melhor o que eles queriam derrubar do que o Pink Floyd: uma banda de discos conceituais, shows milionários e músicas longas demais para quem via a guitarra como arma de três acordes.
Décadas depois, Roger Waters, que construiu boa parte dessa reputação, trata o desprezo punk como parte de um jogo de cena. Ele sempre apontou que o Sex Pistols era mais uma jogada bem ensaiada do que uma revolução autêntica. "Os Sex Pistols só queriam fazer barulho. Era tão claramente armado. Eles eram gerenciados por um cara que tinha uma loja vendendo roupas ridículas!", comentou, citando Malcolm McLaren.

A morte de Sid Vicious, baixista dos Pistols, reforçou o mito punk de forma involuntária. Waters não ignora a tragédia pessoal, mas observa em fala para a Rolling Stone como a cultura pop absorve tragédias com uma frieza útil para criar ídolos póstumos. "Um deles morreu, então você ganha esse ícone que vive pra sempre. Se alguém morre, é sempre ótimo. Exceto pra ele, obviamente, e pros pais dele; mas pra todo mundo, é brilhante."
Com o tempo, o suposto antagonismo perdeu sentido. Bandas que nasceram gritando contra o rock de arena passaram a lotar estádios do mesmo jeito. Waters sempre deixou claro que não vê problema em palcos grandes, desde que a música justifique o tamanho. Para ele, se o Pink Floyd foi chamado de pomposo, é porque poucos faziam shows com a mesma força visual e conceito amarrado.
Entre punk e progressivo, Waters ainda prefere manter a convicção de que o barulho de momento passa, mas boas canções continuam ecoando mesmo quando as brigas de rótulo viram rodapé de livro de história. No fim, para ele, isso é tudo que importa: manter o som vivo, com ou sem a bênção de quem achava tudo pomposo demais.
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