A canção do Queen que Brian May achou que era piada até ouvir "estou falando sério"
Por Bruce William
Postado em 30 de outubro de 2025
Quando o Queen entrou em "A Night at the Opera", a banda já tinha decidido que dava para misturar tudo: rock pesado, balada, coral e vaudeville. No meio desse caldeirão, Roger Taylor chegou com uma música nova, inspirada na devoção de um roadie ao seu Triumph TR4. A demo foi gravada por ele mesmo, com guia de todos os instrumentos.
Roger mostrou o rascunho para Brian May esperando uma reação positiva. Não foi o que veio. Segundo o episódio de Classic Albums sobre "A Night at the Opera", (em transcrição da Far Out), Taylor contou que ele perguntou: "o que você acha?", e ouviu do guitarrista: "Você está brincando, não está? É brincadeira." A resposta veio no ato: "Não, Brian! Estou falando sério. É sobre um carro, e alguém que está apaixonado por ele."

May hoje ri da gênese do tema e do jeito como o colega contava a história. "Ele vai dizer que foi escrita sobre outra pessoa, mas nós sabemos a verdade, não é, Rog? Roger sempre gostou de coisas rápidas: carros rápidos, etcetera, etcetera." Ao mesmo tempo, reconheceu o acerto: "É muito melódica, mas claro, o vocal é a coisa. O vocal é a música. É uma peça de escrita muito memorável."
O resultado foi "I'm in Love with My Car", tratada com seriedade no disco, sem ironia. Em vez de ficar como curiosidade de estúdio, a faixa ganhou vida própria. Taylor cantou, puxou o peso nos timbres e cravou uma das interpretações mais características do álbum.
Roger gostou tanto da música que insistiu para que ela fosse o lado B do single de "Bohemian Rhapsody". A banda topou. Isso teve um efeito prático: a cada cópia física vendida, o baterista recebia a mesma parcela de direitos que Freddie Mercury pelo lado A. Não foi pouca coisa num dos singles mais vendidos da década.
Nos palcos, "I'm in Love with My Car" acompanhou o Queen até 1981, com Taylor nos vocais. Décadas depois, o baterista voltou a cantar a faixa em tributos a Taylor Hawkins, do Foo Fighters, mostrando que, por trás do tema inusitado, havia uma canção que ele nunca tratou como piada. Ou seja, no fim das contas, a história resume bem a lógica do Queen naquela fase: ideias que pareciam improváveis no papel, executadas com convicção no estúdio. Se a canção sobre um carro nasceu sob risos, foi a seriedade de Roger que garantiu que ela não ficasse pelo caminho.
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