O único guitarrista que, para Lindsey Buckingham, "ninguém sequer chega perto"
Por Bruce William
Postado em 27 de outubro de 2025
Lindsey Buckingham nunca perseguiu o estereótipo do "guitar hero". Entrou no jogo com outra lógica: mão direita afiada, arranjos minuciosos, voz encaixada nas dobras do violão e uma obsessão por como a guitarra conversa com a produção. Em vez de medir virtuosismo, ele mede o que as canções ganham quando o instrumento não quer aparecer, mas apenas funcionar.
Antes de virar peça central no Fleetwood Mac, Buckingham vinha de outra escola. "Eu realmente entrei pela porta dos fundos", disse em 2002. Não mirava os nomes que vestiam o estilo como uniforme. Olhava para técnicos de fraseado e economia: Chet Atkins, Scotty Moore. E admite: "O solo de guitarra, aquele 'deus do rock', foi a última coisa que eu peguei. Eu nem conseguia tocar lead por um bom tempo."
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Com essa cabeça, assumir a guitarra do Fleetwood Mac não significou copiar antecessores como Peter Green ou Bob Welch. Significou dobrar a aposta no que Mick Fleetwood enxergou nele: identidade e senso de estúdio. Buckingham chegava pensando em coro, bateria, vozes, espaços. O solo, se viesse, precisava servir ao conjunto.
Daí nasce a admiração por um guitarrista específico; não pelo mito do palco, mas pela soma de referências e pela arquitetura sonora. "Eu não era realmente um guitarrista de lead. Então, ao me reinventar para o Buckingham Nicks como guitarrista, eu estava ouvindo muito [esse cara] - ele tinha ótimas técnicas, mas também valores de produção incríveis; a chave virou aí, ouvir a guitarra sendo usada de forma integral", contou ao Guitar.com (via Far Out).
O nome, claro, é Jimmy Page. Buckingham crava: "Não consigo pensar em ninguém que sequer alcance o Jimmy Page em termos de conseguir puxar elementos de folk e clássico e outras coisas e tornar isso tão musical. Acho que isso virou um ponto de referência para mim." O elogio não é ao virtuosismo isolado; é ao conjunto: composição, textura, estúdio.
Há ecos na outra direção também. Page já contou que a fase Peter Green do Fleetwood Mac ajudou a desenhar uma peça pesada do Led Zeppelin. Sobre "Black Dog", ele disse: "Sugeri que construíssemos uma música semelhante em estrutura a 'Oh Well', do Fleetwood Mac." É a pista de como os caminhos se cruzam: estrutura e ideia antes de exibicionismo.
Buckingham sabe que seu arsenal é diferente do de Page, e justamente por isso evita imitá-lo. Para ele, há um ponto em que tentar replicar se torna perda de tempo: o que importa é entender o método e devolver à música algo que faça sentido no seu próprio idioma. O resto, como ele aprendeu cedo, é barulho.
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