O "maior" álbum do Led Zeppelin, de acordo com Jimmy Page; "Não há dúvida disso"
Por Bruce William
Postado em 28 de novembro de 2025
Quando um músico olha para a própria discografia, cada disco vem carregado de lembranças que ninguém mais ouve: dias ruins em estúdio, brigas, turnês intermináveis, fases pessoais boas e péssimas. Por isso, muita gente famosa se esquiva quando perguntam qual é o "álbum definitivo" da carreira. Jimmy Page, porém, já teve tempo suficiente para encarar essa questão de frente e escolher o trabalho que, na cabeça dele, mostra o Led Zeppelin por inteiro.
Page deixou claro que enxerga esse "retrato completo" num disco específico lançado em 1971, o quarto trabalho de estúdio do grupo. O álbum saiu sem título oficial, com capa enigmática e aqueles símbolos individuais de cada integrante, mas acabou conhecido como "Led Zeppelin IV". Não por acaso, relembra a Music Radar, é justamente ali que Page sente que a banda conseguiu condensar tudo o que vinha construindo desde 1968, da sujeira blues ao folk acústico, passando pelo peso que influenciaria gerações seguintes.

Falando sobre o disco, Page resumiu o sentimento em uma frase que diz bastante, conforme reproduziu a Far Out: "Você sente toda a criatividade desta banda. Ela vem com força total". Em seguida, ele emenda que aquele álbum "mostra o quadro completo do que essa banda é musicalmente. Não há dúvida disso neste ponto". São comentários de quem não está só olhando para vendas ou fama, mas para a diversidade de ideias que couberam em oito faixas, gravadas em grande parte em Headley Grange, num clima de experimentação que o grupo dificilmente repetiria depois.
Basta olhar para a sequência de músicas para entender o raciocínio. O lado A abre com "Black Dog", construído em cima de um riff torto e cheio de quebras, seguido de "Rock and Roll", que é praticamente uma carta de amor ao rock dos anos 1950. Mais adiante surgem momentos bem mais calmos, como "The Battle of Evermore" e "Going to California", puxando o disco para um clima folk e melancólico. No meio de tudo isso está "Stairway to Heaven", a faixa que cresceu de balada delicada para épico de oito minutos e virou ponto de referência obrigatório quando se fala no grupo.
Do outro lado, o fechamento com "When the Levee Breaks" ajuda a explicar o porquê de Page enxergar o álbum como um "quadro completo": bateria massiva, afinação estranha, clima denso e repetitivo, quase hipnótico. Em entrevista, ele comentou que aquele final ajudava a fechar a pintura sonora que a banda queria apresentar, depois de ter levado o ouvinte por todas as outras facetas do disco. Não é por acaso que, quando alguém sugere que esse é um dos grandes álbuns da história do rock, ele responde com bom humor: "É bom, né?".
Em momento nenhum Page usa a palavra "maior" pra falar do disco. O que ele diz é que o álbum "mostra o quadro completo do que essa banda é musicalmente". Porém, pela forma como ele descreve o trabalho - o mais completo, o que reúne todas as facetas do grupo - dá pra entender por que muita gente, e este texto, tratam o IV como o maior álbum do Led Zeppelin na visão dele.
Hoje, mais de cinquenta anos depois do lançamento, Led Zeppelin IV continua sendo o trabalho mais citado quando se fala na herança do grupo, não apenas pelo sucesso de "Stairway to Heaven", mas pelo conjunto da obra. Reedições, listas de "melhores discos de todos os tempos" e matérias especiais como esta da Zinio seguem usando esse álbum como ponto de partida para explicar o impacto do Zeppelin, o que coincide com a própria visão de Page: se for para escolher um registro que mostre quem a banda foi em estúdio, é nele que ele volta - e, pelo jeito, ainda acha que a escolha se sustenta com folga.
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