O clássico riff do AC/DC que Malcolm Young achou que era uma merda, a princípio
Por Bruce William
Postado em 16 de novembro de 2025
Quando o AC/DC entrou em "Let There Be Rock", lá em 1977, a banda já tinha entendido qual seria o caminho dali pra frente: guitarras na cara, poucos acordes, nada de seguir moda. Enquanto punk e new wave ganhavam espaço, Angus e Malcolm Young estavam mais interessados em tirar da guitarra aquelas sequências simples que grudavam na cabeça e soavam enormes no palco, sem precisar enfeitar demais.
Com o tempo, essa obsessão virou espécie de missão familiar: achar o riff certo, lapidar, repetir até a exaustão e só então levar pro estúdio. Foi nesse clima que surgiu uma ideia em especial que não saía da cabeça de Malcolm. Ele ficou dias martelando a mesma sequência, sem saber se tinha encontrado algo especial ou se estava apenas preso em um loop sem graça que ninguém lembraria depois.

Quem contou a história foi o próprio Angus Young, relembra a Far Out. Segundo ele, o irmão passou semanas encucado com aquele conjunto de notas até aparecer um dia em sua frente, esgotado, pedindo socorro. Nas palavras de Angus, Malcolm chegou dizendo: "Você tá com o seu cassete aí? Posso gravar isso? Isso tá me deixando maluco. Eu não vou conseguir dormir enquanto não colocar isso na fita."
Mesmo depois de registrar a ideia, a insegurança continuou. Angus lembra que, assim que terminou de gravar, Malcolm virou pra ele e perguntou, sem nenhuma certeza de que tinha algo valioso nas mãos: "E aí, o que você acha? Eu não sei se isso é uma merda ou não." O riff em questão era justamente a base de "Back in Black", que acabaria abrindo uma das músicas mais conhecidas do rock.
O curioso é que não foi só Malcolm que teve uma relação complicada com aquele riff. Angus passou a vida tocando a introdução de "Back in Black" em palcos do mundo todo, mas nunca ficou totalmente satisfeito com o próprio desempenho. Ele admitiu que, na comparação com a fita que o irmão gravou naquela noite, sempre se sentiu um pouco aquém.
"Na verdade, eu nunca consegui fazer exatamente do jeito que ele tinha na fita", confessou Angus. "Pros meus ouvidos, eu ainda não toco o negócio do jeito certo." A fala mostra que, por trás da simplicidade aparente do AC/DC, havia um nível de cobrança interna bem maior do que muita gente imagina quando ouve aqueles poucos acordes diretos ligados no amplificador.
Hoje, o riff de "Back in Black" é um dos mais associados ao nome do AC/DC e aparece em listas de clássicos do rock com regularidade. A ideia que deixou Malcolm Young sem dormir e fez Angus duvidar da própria execução acabou se tornando parte fixa do repertório da banda, repetida em estádios lotados desde o início dos anos 1980.
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