A "modernidade" que Keith Richards nunca quis ver tomando conta da música
Por Bruce William
Postado em 15 de novembro de 2025
Quando Mick Jagger e Keith Richards começaram a fazer barulho juntos, no início dos anos 1960, a ideia era simples: uma banda de R&B tocando alto, sujo e orgânico, formada por garotos que aprendiam copiando discos de seus ídolos. Em 1964, essa proposta ganhou forma em vinil com o lançamento do debut "The Rolling Stones" no Reino Unido, obra que apresentava ao público um grupo ainda fortemente calcado em releituras, mas já com a parceria Jagger/Richards começando a aparecer.
Anos depois, ao revisitar aquele primeiro disco, Keith Richards enxergou algo além da própria estreia da banda: para ele, o álbum mostrava um caminho que a música popular poderia ter seguido com mais atenção. Em vez de depender de truques de estúdio, bases pré-programadas ou recursos artificiais, os Stones soavam como cinco músicos confinados em um espaço pequeno, reagindo uns aos outros em tempo real, algo que, na visão do guitarrista, deveria continuar sendo a espinha dorsal do rock.
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Richards usou essa lembrança para deixar claro o incômodo com certas tendências tecnológicas que se tornaram comuns nas décadas seguintes. Ele criticou abertamente o uso de backing tracks, instrumentos sintetizados e samplers como atalho para quem não quer - ou não consegue - colocar uma banda inteira para tocar de verdade. Para Keith, quando a base já vem pronta e a apresentação depende mais de botão do que de mão, algo essencial se perde no processo.
Em uma de suas declarações sobre o assunto, Keith explicou o que esperava provocar com seu trabalho (via Rock Celebrities): "Eu fiz um disco e estou muito feliz com o resultado, especialmente para um primeiro disco. Talvez eu esteja mentindo um pouco; deixa eu ser sincero. O que eu espero é que isso provoque uma mudança no meio musical e nas pessoas que compram discos e ouvem música. Elas não têm muito tempo para pensar nisso e perceber que muita dessa sintetização e desse uso de samplers leva a becos sem saída. Essa música é humana e natural. Você precisa de pessoas trabalhando juntas, músicos que possam tocar e gravar juntos para deixá-la mais natural."
Na visão de Richards, não se trata apenas de preferência estética ou nostalgia. Ele enxerga a música como resultado de interação humana, choques de personalidade, improvisos, erros e ajustes que acontecem no encontro entre músicos de verdade. Quando tudo isso é substituído por trilhas pré-gravadas ou camadas artificiais, o produto final até pode soar "perfeito", mas se afasta daquilo que, para ele, fez dos Rolling Stones - e de tantos outros nomes dos anos 1960 e 1970 - uma referência: pessoas em um estúdio pequeno, equipamento limitado, volume alto e nenhuma garantia além do próprio desempenho. É essa "modernidade" que Keith Richards nunca fez questão de adotar.
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