A banda de heavy metal que tem quatro discos inspirados em tragédias pessoais
Por Mateus Ribeiro
Postado em 04 de novembro de 2025
A vida de um ser humano nem sempre é marcada por bons acontecimentos. Nosso caminho por este mundo reserva momentos de dor e sofrimento, alguns deles profundamente trágicos.
No universo da música pesada, certas experiências turbulentas encontram expressão artística, transformando sofrimento em criação. O Mastodon é um exemplo emblemático: formado no início dos anos 2000 em Atlanta (Geórgia, EUA), o grupo traduziu suas perdas e desafios pessoais em algumas de suas obras mais intensas e emocionantes.
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O primeiro trabalho do Mastodon influenciado por uma perda é o aclamado "Crack the Skye" (2008). Quarto disco de estúdio da banda, o álbum tem como um de seus pontos altos a faixa-título, cujo nome remete à Skye Dailor, irmã do baterista e vocalista Brann Dailor. Ela sofria de síndrome de fadiga crônica e tirou sua vida aos 14 anos de idade.
"Eu tinha 15 anos quando minha irmã morreu. Ela tinha 14 anos, e isso foi totalmente devastador para mim. Acho que a frase 'Crack The Sky' [algo como 'rachar o céu'] significa para mim o momento em que fui informado que Skye havia partido", relatou Brann, em um vídeo onde os integrantes do Mastodon falam sobre "Crack the Skye".
A obra que dá sequência é "The Hunter" (2011). O nome do álbum é uma homenagem ao finado irmão do guitarrista/vocalista Brent Hinds. Durante entrevista concedida à Metal Hammer em 2011, o músico relembrou o episódio traumático que acabou o inspirando.
"Ele morreu de um ataque cardíaco enquanto caçava em 4 de dezembro de 2010 e acho que isso é praticamente tudo. Ele havia matado um veado e o arrastou até a caminhonete. Acho que ele se esforçou demais. E o encontraram morto na caminhonete.
Realmente era o momento certo para dar o nome do meu irmão ao álbum. Teria sido o momento errado dois anos depois. Não importa o quanto tenha sido doloroso em dezembro, agora é mais uma comemoração."
Como se já não bastasse todos esses fatos, em 2015, a esposa do baixista/vocalista Troy Sanders foi diagnosticada com câncer de mama. No ano seguinte, a mãe do guitarrista Bill Kelliher faleceu por conta da doença. Tais dramas foram explorados nas músicas de "Emperor of Sand" (2017).
"Não estou cansado de compor músicas sobre tragédias, mas estou cansado de que elas aconteçam", declarou Kelliher à Metal Hammer. "À medida que envelhecemos, perdemos muitas pessoas rapidamente. Perdi meu pai há 21 anos; não me resta muita família com quem conversar sobre essas coisas, além da minha esposa. Com os caras da banda, nossa maneira de lidar com isso é transformar esses sentimentos, sobre os quais não conseguimos falar com ninguém, em música, por meio dos nossos instrumentos", complementou o artista.
"Nós não falamos muito sobre isso. Não nos sentamos para uma sessão de terapia; nós tocamos música e isso faz com que todos se sintam um pouco melhor. Quando estamos sofrendo uma dor espiritual imensa, a maneira como a exorcizamos é com a música", admite Brann Dailor.
"Hushed and Grim" (2021), oitavo álbum do Mastodon, também tem a ver com uma perda. O disco foi inspirado pela morte de Nick John que empresariou a banda por mais de uma década e faleceu em 2018, de câncer. Troy Sanders comentou a relação entre a obra e seu saudoso amigo em bate-papo com o Heavy Consequence.
"O álbum é sobre a perda de nosso empresário, Nick John, há pouco mais de três anos em uma batalha contra o câncer de pâncreas. Ele foi monumental em nossa existência. Quase tão ou mais importante do que ser o empresário da nossa banda, ele era nosso querido amigo."
A sequência de desgraças que envolve o Mastodon aumentou no dia 20 de agosto deste ano. Brent Hinds, integrante do quarteto por 25 anos, faleceu em um acidente com sua motocicleta. Essa não foi a primeira tragédia na história da banda. Que seja, enfim, a última.
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