O festival que "deu um pau" em Woodstock, conforme Grace Slick
Por Bruce William
Postado em 18 de fevereiro de 2026
Woodstock virou um daqueles nomes que parecem ter vida própria. Fala-se como se tudo tivesse sido "mágico" do primeiro ao último acorde, e parte disso vem do mito, parte vem das imagens, parte vem do jeito como a cultura pop empacotou 1969 como um símbolo pronto.

Só que Grace Slick nunca comprou a versão "certinha". Em 2014, lembrando a música "Woodstock", da Joni Mitchell, ela resumiu o que sentiu quando tocou lá com o Jefferson Airplane: "Eu amo a Joni, mas eu não tive exatamente a mesma visão disso. Eu pensei: 'Isso é grande, mas é bem malfeito'."
O "malfeito" dela tinha endereço, conjectura a Far Out. A banda precisou ser buscada de helicóptero por causa do trânsito travado e da quantidade de carros abandonados nas estradas. A apresentação era pra começar às nove da noite, mas a espera se esticou por horas, com a turma ali atrás do palco fumando, bebendo e passando o tempo até o dia clarear, e o show acabou saindo por volta das sete da manhã.
Quando ela compara com o Monterey International Pop Festival, dois anos antes, a conversa muda de tom. Monterey, pra ela, era um festival que parecia ter sido pensado por gente que lembrava do básico: estrutura, circulação, banheiro, área de bastidor funcionando. E ela descreveu isso do jeito mais direto possível: "Monterey era tão bem organizado... você conseguia chegar a um banheiro em menos de nove horas. (...) Tudo funcionava."
Monterey também teve aquelas cenas que viraram história: Hendrix incendiando a guitarra, Janis Joplin estourando ao vivo, Otis Redding entregando um show que ainda hoje é citado como referência. Só que, na cabeça dela, a diferença é que ali isso acontecia com o terreno menos virado do avesso.
A título de curiosidade: o Jefferson Airplane foi a única banda que tocou em Monterey, Woodstock e também em Altamont - ou seja, ela viu o "melhor cenário", o "caos famoso" e a noite em que as coisas descambaram de vez. Quando alguém com esse currículo chama Monterey de superior, não soa como frase de efeito. Soa como lembrança de quem passou pelos três lados do mesmo sonho.
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