Woodstock, Breve 1969

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Por Rodrigo Schwarz, Fonte: Projeto Banda Independente
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Foram três dias de paz, amor e música de graça. Das 650 mil pessoas que estiveram em Woodstock, menos de 200 mil compraram ingressos. O restante derrubou as cercas. Mas a trôpega organização não impediu que o evento se tornasse o maior festival de rock de todos os tempos e um dos ápices da contracultura americana. O elenco do festival, uma seleção dos sonhos montada com o melhor da safra roqueira sessentista, só precisou de um palco para fazer história.

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Woodstock abriu – com três horas de atraso, é claro – ao som do violão de Ritchie Havens. Ele estava originalmente programado para ser a quinta atração a subir no palco. Mas até os músicos tiveram dificuldade de transpor o congestionamento de carros que levava até a pequena cidade de Bethel, no Estado de Nova York. Como Havens era um dos únicos artistas presentes, foi atirado ao palco para acalmar o público impaciente. “Eu só queria sobreviver!”, lembra Havens.

Além de reunir ícones como Jimi Hendrix, The Who, Janes Joplin, entre outras dezenas de estrelas, o festival também revelou talentos. Santana, o jovem mexicano que tocava em pequenos clubes de San Francisco, apresentou-se diante de um oceano de pessoas. O novato se apoderou do palco como um leão, entregando uma das performances mais memoráveis do evento. Santana entrou como um desconhecido e deixou Woodstock com o status de lenda.

Nem todos tiveram a mesma sorte. Uma das bandas mais emblemáticas da cena hippie, o Grateful Dead, tocou apenas quatro músicas. O palco estava dando choque e do amplificador do baixista Phil Lash saía a transmissão de rádio do helicóptero que sobrevoava o evento.

Esse é só um exemplo das inúmeras trapalhadas da organização. No meio do festival, acabaram os cigarros nos camarins. Alvin Lee, guitarrista do Ten Years After, caminhou em direção ao público, para filar alguns. Voltou com 20 baseados – ninguém tinha cigarros “caretas”.

A desorganização foi tanta que Jimi Hendrix tocou depois do último dia do festival. Sim, o evento, que durou oficialmente de sexta a domingo, teve ainda na segunda-feira de manhã o show do guitar hero. Restavam ainda 35 mil pessoas, que viram Hendrix tocar “The Star-Splanged Banner”. Ele transformou o hino americano em um protesto sem palavras contra a Guerra do Vietnan. Com sua guitarra, Hendrix intercalou a reverenciada melodia do hino com o som de bombas caindo. O músico lembrou a todos que o significado de Woodstock transcendia a música.

Foi o ponto mais alto de um movimento que morreria antes do final da década. Naquele mesmo ano, 1969, os hippies comandados por Charles Manson maculariam o lema de paz e amor ao assassinar a atriz Sharon Tate. A década foi fechada pelo desastroso show dos Rolling Stones em Altmont, em San Francisco. O assassinato de um fã cimentou de vez a aura pacifista da década.

Rodrigo Schwarz é jornalista e escritor. Escreve sobre cultura no jornal A Notícia, de Santa Catarina. É autor do romance "A Iha dos Cães" (Bertrand Brasil)

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