O último mal-estar de Ozzy Osbourne junto ao Black Sabbath
Por Bruce William
Postado em 27 de janeiro de 2026
"13" (2013) ficou com cara de "capítulo final" por vários motivos: foi o primeiro disco de estúdio do Black Sabbath com Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler desde "Never Say Die!" (1978), e ainda chegou ao topo das paradas no Reino Unido décadas depois de "Paranoid". Só que, olhando por dentro, Geezer descreve o processo de letras como um daqueles períodos em que a banda vira agenda, prazos e estúdio - e a música acontece no meio da fumaça.
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No relato dele, conforme transcrito pelo Ultimate-Guitar, a base do álbum estava praticamente pronta antes da "segunda fase" começar. Geezer disse que aquele último disco do Sabbath "foi principalmente o Tony" no estúdio dele na Inglaterra e que, depois, ele e Ozzy entraram no processo: Ozzy montando linhas vocais e Geezer fazendo as letras.
O problema é que as expectativas não bateram quando chegou a hora de colocar isso de pé. Geezer conta que Ozzy deixou os vocais para as últimas semanas e que ele (Geezer) não queria escrever as letras porque estava assumindo que Ozzy cuidaria delas. Aí veio o telefonema: "Geezer, vem escrever as letras pra mim."
Daí a coisa descamba para o modo "sobrevivência". Ele diz que já havia algo como 15 músicas prontas e que virou um ciclo noturno: escrever um bloco de letras, ir ao estúdio, mostrar para o Ozzy cantar, voltar pra casa e escrever o próximo. O resumo dele é seco e bem humano: "É um caos... e, quando acabou, eu nem entendo o que eu estava escrevendo."
No meio disso, entra Rick Rubin - e Geezer lembra com ironia de como o produtor insistia para que as letras fossem dele. A frase atribuída ao Rubin é o tipo de elogio que, num dia calmo, pode até inflar o ego... mas no meio da correria soa como sentença: "Geezer tem que escrever as letras. Ele é o Shakespeare das letras do heavy metal." Geezer reage do jeito que dá pra imaginar: "Ah, meu Deus…"
O "mal-estar" aqui não tem aquela pegada de briga de camarim, e sim de desencontro prático: quem escreve o quê, quando, com a pressão subindo e o relógio comendo. E isso gruda mais quando você lembra que "13" acabou ficando, na prática, como o último álbum de estúdio do Sabbath com Ozzy, Iommi e Geezer no mesmo disco.
Em 2024, Ozzy havia dito que sentiu desconforto por ter que trabalhar com um produtor, depois que a formação original do Sabbath passou a se autoproduzir a partir de "Vol. 4" (1972): "A única crítica que eu tenho ao álbum - não crítica; a coisa que todos nós achamos difícil de fazer - é que nenhum de nós teve tanta participação. Então foi meio que voltar direto pro começo, quando a gente tinha o Rodger Bain e não sabia dessas coisas de 'double tracking' e tudo isso. Se você tem um produtor, você não produz o álbum você mesmo. Porque o Tony basicamente produzia todos os álbuns depois de um certo tempo. Ele deve ter tido que engolir o orgulho e tudo mais."
Na época, Ozzy também disse que a ausência de Bill Ward em 13 foi sentida: "Eu não lembro por que o Bill não fez. Tenho que ser sincero. Não era realmente Black Sabbath porque o Bill não estava lá. Quer dizer, se você tivesse o Ginger Baker tocando com os Beatles, não seriam os Beatles." Fato é que a história do grupo fechou o círculo pouco depois: o Black Sabbath fez seu show de despedida em Birmingham em 5 de julho de 2025, e Ozzy Osbourne nos deixou em 22 de julho de 2025.
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