3 álbuns que não venderam nada na época e hoje são clássicos, segundo André Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de janeiro de 2026
A ideia de sucesso imediato nem sempre anda de mãos dadas com relevância histórica. Ao revisitar momentos decisivos da música pop e do rock, o jornalista André Barcinski chama atenção para discos que fracassaram comercialmente no lançamento, mas acabaram se tornando pilares da cultura musical. Em um de seus comentários recentes, ele lembrou que muitos clássicos só foram compreendidos anos - ou décadas - depois.
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O primeiro exemplo citado é Pet Sounds, dos The Beach Boys. Lançado em 1966, o álbum teve recepção fria e vendas baixas em comparação aos sucessos anteriores do grupo. Barcinski destacou o contraste entre passado e presente: "Foi um disco muito mal recebido na época, tanto pela crítica quanto pelo público", afirmou. Segundo ele, o desempenho foi tão fraco que acabou sendo o pior resultado da banda nas paradas desde a estreia.
Para o jornalista, o fracasso inicial não diminui a importância da obra. Pelo contrário. "É inacreditável pensar que um disco tão icônico tenha sido ignorado no lançamento", comentou, lembrando que Pet Sounds marca a maturidade criativa de Brian Wilson e a transição dos Beach Boys para algo que ele próprio definia como "sinfonias adolescentes para Deus". Hoje, o álbum figura regularmente no topo de listas de melhores discos de todos os tempos.
O segundo caso lembrado por Barcinski é The Velvet Underground & Nico, lançado em 1967. Conhecido como "o disco da banana", o álbum praticamente passou despercebido pelo público. "Nos primeiros cinco anos depois do lançamento, ele não tinha vendido 30 mil cópias", destacou o jornalista, citando uma conversa relatada entre Brian Eno e Lou Reed. Para os padrões históricos, trata-se de um fracasso absoluto.
Ainda assim, Barcinski ressalta que a influência do disco é imensurável. "A fama do Velvet Underground é totalmente posterior", explicou, lembrando que a banda era cultuada por pouquíssimas pessoas na época. Só mais tarde o álbum passou a ser reconhecido como um divisor de águas, responsável por inaugurar uma estética experimental que moldaria boa parte do rock alternativo.
Fechando a lista, aparece o disco de estreia do Ramones, lançado em 1976. Mesmo sendo hoje um símbolo do nascimento do punk, o álbum vendeu apenas 6 mil cópias em seu lançamento inicial. Barcinski resume o paradoxo: "Foi ouvido por pouquíssimas pessoas, mas praticamente todas elas fundaram bandas". Para ele, é a prova definitiva de que impacto cultural e sucesso comercial raramente caminham juntos no curto prazo.
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