Como EP de apenas três músicas mudou o rumo do rock dos anos 2000, segundo a Louder
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de janeiro de 2026
Segundo a Louder, poucas vezes um lançamento tão pequeno causou um impacto tão grande quanto o EP The Modern Age, do The Strokes. Lançado em 2001, com apenas três músicas, o disco marcou o surgimento de uma banda que "abriu as comportas para toda uma nova geração de grupos de guitarra", como define o jornalista Niall Doherty, em matéria publicada no site.
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O contexto não poderia ser mais desfavorável. No início dos anos 2000, o rock dominado por guitarras estava em crise. De um lado, o nu metal reinava absoluto; do outro, o indie parecia cada vez mais introspectivo e pouco empolgante. Doherty descreve aquele momento como um período em que boa parte das bandas fazia "músicas adequadas para dirigir calmamente num domingo de manhã", longe de qualquer senso de urgência ou perigo.
Tudo mudou com uma ligação telefônica atravessando o Atlântico. Geoff Travis, fundador da Rough Trade, relembra o instante exato em que percebeu que algo diferente estava acontecendo: "Ele me ligou por volta das sete da manhã e tocou uns dez segundos do EP pelo telefone. Aquele foi o momento". Bastaram poucos segundos da faixa The Modern Age para selar o destino da banda.
O que se ouvia ali, segundo Travis, era especial: "O que eu ouvi no The Strokes foram as habilidades de composição de um escritor de primeira linha e uma música que destila o rock'n'roll primal misturado com a sofisticação da sociedade moderna". A sonoridade remetia ao rock urbano dos anos 1970, evocando referências como Velvet Underground e Television, mas soava totalmente deslocada - e necessária - em pleno ano 2000.
Dentro da própria banda, o impacto também foi imediato. Nick Valensi recorda que, ao ouvir a música pela primeira vez, ficou claro que eles precisavam mudar de rota: "De repente foi tipo: 'Uau, precisamos de mais músicas assim. Vamos deixar aquelas outras de lado'". A partir dali, The Strokes encontraram sua forma definitiva.
O EP, que começou apenas como uma demo, rapidamente se transformou em um fenômeno. Shows lotados, imprensa em polvorosa e uma sensação generalizada de que o rock havia reencontrado seu pulso. Poucos meses depois, o grupo confirmaria as expectativas com Is This It, hoje considerado um dos maiores discos de estreia da história.
Julian Casablancas resumiu a filosofia da banda sem rodeios: "Eu não quero ser uma banda de gênios. Só quero que a gente faça o que faz: chutar a porta e arrebentar tudo". Para Doherty, essa atitude foi exatamente o que reacendeu a chama: o EP The Modern Age não apenas lançou uma carreira, mas "trouxe o rock'n'roll de volta dos mortos".
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