O grande problema das músicas do "Dark Side of the Moon", segundo David Gilmour
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de janeiro de 2026
No início dos anos 1970, poucas bandas pareciam tão determinadas a encontrar um novo rumo quanto o Pink Floyd. Após a saída de Syd Barrett, o grupo passou por um período de experimentação intensa, testando ideias, formatos e conceitos em busca de uma identidade sólida. Foi nesse cenário que David Gilmour, já integrado à formação havia alguns anos, começou a perceber que algo diferente estava se formando nos bastidores.
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Segundo o guitarrista, o ponto de virada começou quando Roger Waters apresentou a ideia central que guiaria o disco: uma reflexão sobre as pressões da vida moderna e seus efeitos sobre a sanidade humana. Em entrevista a Glenn Povey, posteriormente reproduzida pela Guitar Player (via Far Out), Gilmour explicou: "Assim que Roger apareceu com o conceito dos temas centrais, aquilo começou a ganhar forma. Mas a sensação de que estávamos diante de algo realmente mágico veio um pouco depois".
Mesmo com essa intuição positiva, ninguém no grupo poderia prever o impacto que The Dark Side of the Moon teria. Lançado em 1973, o álbum ultrapassou a marca de 45 milhões de cópias vendidas e permaneceu por quase mil semanas, não consecutivas, na parada da Billboard. Para Gilmour, que tinha apenas 27 anos na época, a noção de longevidade no pop era bem mais modesta. "Naquele tempo, você pensava em cinco, talvez dez anos de relevância", relembrou o músico.
Apesar do sucesso monumental, Gilmour nunca escondeu que guarda uma ressalva em relação ao disco. Para ele, o crescimento de Waters como letrista acabou criando um desequilíbrio. "Meu problema com Dark Side foi que a emergência do Roger como um grande letrista fez com que, em alguns momentos, as letras se sobrepusessem à música", afirmou. O comentário ajudaria a explicar parte das tensões internas que se intensificariam nos anos seguintes.
O guitarrista acrescentou que essa preocupação foi discutida abertamente após as gravações. "Houve momentos em que não nos concentramos tanto no lado musical quanto deveríamos. Isso foi algo que eu apontei para a banda depois do álbum", disse. Segundo ele, essa crítica influenciou diretamente o processo do disco seguinte, Wish You Were Here, no qual o grupo tentou buscar um equilíbrio maior entre som e palavras.
Para o público, no entanto, qualquer "problema" parece irrelevante diante do resultado final. Faixas como Money, Time, Breathe e The Great Gig in the Sky tornaram-se clássicos absolutos, funcionando tanto de forma individual quanto como parte de um todo coeso. O baterista Nick Mason resumiu bem o sentimento geral: "Quando terminamos, todos achávamos que era a melhor coisa que já tínhamos feito até então".
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