Peter Frampton: "David Bowie e eu estudamos juntos, e o professor de artes era meu pai"
Por André Garcia
Postado em 06 de março de 2023
A generosidade de David Bowie foi um aspecto de sua personalidade muitas vezes negligenciado. Nos anos 70, logo após alcançar o sucesso, ele usou sua criatividade e popularidade para dar visibilidade a artistas que admirava, como Lou Reed, Iggy Pop e Mott the Hoople. Já nos anos 80, ele resgatou Peter Frampton do ostracismo.
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O guitarrista havia feito sucesso estrondoso na década anterior, mas acabou caindo no esquecimento. Em uma entrevista recente para a AXS TV, ele relembrou como conheceu Bowie ainda na pré-adolescência, quando os dois frequentavam a mesma escola.
"David [Bowie] eu estudamos juntos, e o professor de artes era meu pai. Ele estudava com meu pai há uns três ou quatro anos, junto com George Underwood — um fenomenal pintor, o autor da capa do "[The Rise and Fall of] Ziggy Stardust [and the Spiders From Mars"]. Nós três ficávamos de bobeira na escadaria da sala de artes na hora do almoço, aí meu pai dizia: 'Tragam violões para escola, deixem na minha sala. Eu sei que vocês curtem música, então na hora do almoço vocês podem pegar os instrumentos e fazer um som!' E foi o que nós fizemos. Foi assim que eu comecei a tocar com David; a gente tocava músicas de Buddy Holly, de Elvis Presley... qualquer coisa de rock americano."
"Um tempo depois, David me viu tocar no Top of the Pops, na época ele ainda não tinha feito sucesso. Ele disse: 'Lá estava eu assistindo Top of the Pops aí do nada me aparece Pete! O que ele estava fazendo ali? Era para ele estar na escola!' [Ele não tinha feito sucesso ainda], mas depois ele me alcançou, não é mesmo?"
No começo da década de 80 Peter Frampton já amargava o ostracismo quando, poucos anos após ter atingido seu auge de popularidade com "Let's Dance" (1983), David Bowie o recrutou para a gravação de "Never Let Me Down" (1987):
"Eu fui para Suíça e nós fizemos o álbum "Never Let Me Down". Enquanto estava lá, ele me perguntou: 'O que você acha de me acompanhar na estrada? Vou fazer uma grande turnê chamada Glass Spider Tour, que vai ter uma estrutura como uma aranha gigante e essas coisas.' Eu disse 'Deixa eu pensar no assunto...' e logo depois respondi 'SIM [risos]!' Ele poderia ter qualquer um, mas escolheu a mim. E o que ele fez por mim, me conhecendo bem e vendo pelo que eu tinha passado, ele me deu o maior dos presentes: me levar com ele pelo mundo para tocar em estádios, e me apresentar novamente ao público como músico, como guitarrista. Por tal coisa, eu jamais o agradecerei o bastante."
Peter Frampton é um dos músicos mais icônicos dos anos 70, tendo alcançado fama mundial com seu álbum ao vivo "Frampton Comes Alive!" (1976). Embora sua popularidade tenha caído vertiginosamente nos anos seguintes, ele se recuperou e seguiu na ativa até recentemente. Em 2019, o guitar hero anunciou que faria sua última turnê, devido a uma doença muscular degenerativa. Apesar de sua saúde debilitada, ele levou a excursão até o fim, fazendo seu último show em 2022, sentado.
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