Os cinco discos favoritos de Tom Morello, do Rage Against The Machine
Por Bruce William
Postado em 08 de fevereiro de 2026
Em 2021 Tom Morello fez uma lista para a Spin dos seus cinco álbuns favoritos, que contribuíram para formar a identidade musical de seu próprio trabalho, que ele resume da seguinte forma: "Uma música é um jeito de criar um pedacinho de um mundo que você gostaria de ver um dia."
Ele veio do rock pesado clássico - Led Zeppelin, Black Sabbath, Iron Maiden, Kiss, Alice Cooper - e, ainda no começo dos anos 1980, montou uma banda chamada Electric Sheep (com Adam Jones, futuro Tool, no baixo). Só que, com o tempo, o repertório de influências foi abrindo espaço para coisas bem fora do "corredor natural" do Rage, lembra a Far Out, que resgatou a lista publicada na Spin.

A primeira pedrada é 3 do Peter Gabriel (1980), o disco conhecido pelo apelido Melt, em alusão ao músico "derretido" na capa. Morello destaca faixas específicas e detalhes de estúdio: "'Games Without Frontiers' é a faixa que te puxa pra dentro, com a poesia brilhante e 'quebrada', e as guitarras igualmente 'quebradas' e brilhantes do Robert Fripp", e lembra que Phil Collins toca bateria ali, com uma regra curiosa do Gabriel: "Gabriel proibiu ele de usar chimbal ou pratos no disco inteiro". E ele ainda aponta "Biko" como uma música que o marcou de verdade por tratar de Stephen Biko e do apartheid.
Depois vem "Blizzard of Ozz" (Ozzy Osbourne, 1980), onde o destaque nem é tanto o Ozzy mas sim Randy Rhoads como gatilho de vocação: "Foi um pôster do Randy Rhoads que eu tinha na parede quando eu praticava oito horas por dia", diz Morello, antes de cravar: "Ele continua sendo meu guitarrista favorito de todos os tempos." Ele também descreve o disco como o momento em que o Rhoads explode aos ouvidos do grande público.
A terceira escolha é "Nothing's Shocking" (Jane's Addiction, 1988), tratado por Morello como um disco que reposicionou o hard rock no fim dos anos 80. Ele cita o choque entre riffs pesados e "poesia de rua", passa por músicas como "Jane Says", "Pigs in Zen" e "Mountain Song", e solta a frase mais direta do pacote: "Jane's Addiction salvou e redimiu o hard rock com esse 'tour de force'."
A quarta é "Ruminations" (Conor Oberst, 2016), um álbum bem mais contido: voz e instrumentos acústicos, com clima de gravação crua. Morello não disfarça o lado fã do letrista: "Conor Oberst... é um letrista singularmente brilhante e emocionalmente evocativo", e descreve o disco como "uma tapeçaria rasgada de uma alma se despedaçando". No meio, ele ainda brinca que uma das faixas pode ter a ver com uma noite com o próprio Oberst e Michael Moore.
E a escolha que mais chama atenção é "Rage Valley" (Knife Party, 2011), que é, na verdade, um EP. Morello conta que tinha ranço de música eletrônica e muda completamente o tom quando descobre a dupla: "Eu odiava EDM. Odiava mesmo... Aí um amigo me apresentou Knife Party, e eles explodiram a minha cabeça." Ele diz que ali viu "poder, tensão, explosividade e atitude" no mesmo nível do metal que ele gosta - e afirma que isso ajudou a empurrar o projeto The Atlas Underground na direção de misturar guitarras e "bass drops".
No conjunto, a lista acaba dizendo mais sobre o Morello fora do "personagem Rage": um cara que veio do riff e da política, mas que continua atrás daquela sensação de impacto - seja num disco sombrio do Peter Gabriel, num hard rock torto do Jane's Addiction, num álbum acústico do Oberst, ou num EP eletrônico que ele jurava que nunca ia ouvir.
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