O clássico do hard rock que usou nome de canção de Frank Sinatra por ter tudo a ver
Por Bruce William
Postado em 23 de abril de 2026
Todo grande ciclo do hard rock dos anos 70 parecia precisar de um álbum ao vivo para ficar completo. O Kiss teve "Alive!", o Deep Purple teve "Made in Japan", o Thin Lizzy teve "Live and Dangerous", e o UFO encontrou esse lugar com "Strangers in the Night", lançado em 1979. Para muita gente, esse é o disco que melhor mostra o que a banda britânica conseguia fazer no palco quando Phil Mogg, Michael Schenker, Pete Way, Andy Parker e Paul Raymond estavam funcionando como uma unidade.
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O material original saiu em LP duplo pela Chrysalis, com gravações feitas em outubro de 1978 durante shows nos Estados Unidos, especialmente em Chicago e Louisville. Aquele era um momento importante para o UFO, que vinha tentando ampliar seu espaço no mercado americano depois de uma sequência forte de discos de estúdio nos anos anteriores. Chicago, em especial, tinha um peso grande para o grupo. Pete Way lembrou que a cidade foi a primeira onde eles conseguiram tocar em arenas, depois de abrirem shows para o Kiss e conquistarem parte daquele público.
O disco acabou se tornando uma espécie de vitrine definitiva do UFO. "Doctor Doctor", "Natural Thing", "Only You Can Rock Me", "Too Hot to Handle" e "Rock Bottom" aparecem com a força que esse repertório pedia em cima de um palco. O baixo de Pete Way, a voz de Phil Mogg, a bateria de Andy Parker, os teclados e a guitarra base de Paul Raymond e, principalmente, a guitarra de Michael Schenker fizeram o álbum ganhar uma reputação que atravessou gerações.
O curioso é que o título do álbum veio de um lugar bem distante do hard rock britânico. Segundo o site espanhol Rockologia, "Strangers in the Night" teria sido ideia do produtor Ron Nevison durante a fase de mixagem. Em uma pausa, ele ouviu a canção homônima de Frank Sinatra e achou que o nome combinava com a realidade da banda, além de soar comercial. A associação fazia sentido: um grupo inglês na estrada, tocando à noite para plateias americanas, vivendo aquele ambiente meio nômade de turnê.
A história interna do álbum também tinha suas turbulências. Michael Schenker deixou a banda durante a turnê e foi substituído novamente por Paul Chapman em algumas datas. Depois, voltou por um período, mas sua relação com o grupo já estava desgastada. Há relatos de que ele não quis gravar overdubs para o álbum, o que, se for verdade, reforça a ideia de que boa parte do disco registra sua guitarra ao vivo de forma bastante direta. O próprio Schenker depois reclamou das escolhas, dizendo que havia tomadas melhores que poderiam ter sido usadas.
Também existem discussões sobre ajustes feitos no material. A ordem das músicas não seguia exatamente a sequência dos shows, algumas faixas foram editadas, e há versões que apontam regravações ou retoques de estúdio em determinadas partes. Nada disso impediu o álbum de ganhar status de clássico. Pelo contrário: "Strangers in the Night" acabou sendo recebido como um retrato poderoso do UFO em seu auge, mesmo com as pequenas cirurgias comuns em discos ao vivo daquela época.
O resultado apareceu também nas paradas. O álbum chegou ao 7º lugar no Reino Unido e ao 42º nos Estados Unidos. "Doctor Doctor", retirada do disco, ainda entrou no Top 40 britânico em 1979, algo inédito para a banda até então. Com o tempo, o álbum passou a ser citado entre os grandes registros ao vivo do rock pesado.
Essa influência também chegou ao Iron Maiden por outro caminho. Steve Harris tinha forte admiração por Thin Lizzy e UFO, duas bandas que também marcaram outros músicos de sua geração. Segundo o relato, as calças justas listradas em preto e branco usadas por Harris tinham ligação direta com Pete Way, baixista do UFO, que já era conhecido por usar o mesmo visual nos palcos. A ideia teria sido "pegada emprestada" de Way e acabou ficando ainda mais famosa com o fundador do Maiden.
O título emprestado de Sinatra acabou encaixando melhor do que poderia parecer. "Strangers in the Night" não tem nada da elegância de salão associada à canção original, mas carrega a mesma imagem básica de gente cruzando a noite em algum lugar. No caso do UFO, eram cinco músicos tentando conquistar outro continente, com Schenker soltando solos que pareciam longos demais para caber em um palco comum. A noite era americana, o nome veio de Sinatra, mas o barulho era hard rock britânico até o osso.
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