Slash escolhe o maior álbum ao vivo de todos os tempos; "Eu amo esse disco"
Por Bruce William
Postado em 21 de abril de 2026
Os álbuns ao vivo sempre tiveram um papel curioso dentro do rock. Em muitos casos, eles funcionam quase como uma porta de entrada paralela para uma banda, reunindo músicas conhecidas em versões mais cruas, com barulho de plateia, improvisos, erros pequenos e aquela sensação de que o estúdio ficou para trás. Para muita gente, esse tipo de disco não é apenas um registro de turnê, mas a forma mais direta de entender o que uma banda realmente era quando precisava se virar no palco.
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Nos anos 70, isso ganhou ainda mais peso. Discos ao vivo de bandas como Kiss, Deep Purple, Thin Lizzy, UFO, Humble Pie e tantas outras ajudaram a criar uma espécie de mitologia própria. O fã comprava o álbum, olhava as fotos, lia os créditos e tentava imaginar o tamanho do som. Não era a mesma coisa que ver a banda de perto, claro, mas muitas vezes chegava perto o bastante para virar obsessão.
Slash conhece bem esse tipo de relação. O guitarrista do Guns N' Roses nunca escondeu que o Aerosmith foi uma das bandas que mais marcaram sua vida, especialmente por causa de "Rocks", álbum lançado em 1976. Em entrevista citada pela Classic Rock, ele explicou que Joe Perry foi uma influência direta e que o impacto do Aerosmith apareceu antes mesmo de sua carreira começar.
"[Joe Perry] foi uma grande influência para mim. Na verdade, foi o Aerosmith que me inspirou a começar a tocar guitarra, pra começo de conversa. Pô, eles chegaram a me fazer deixar de lado a garota mais gostosa da minha escola no junior high! Eu finalmente consegui ir até a casa dela depois de meses correndo atrás, aí ela botou para tocar o álbum Rocks", contou Slash.
A história tem aquele tipo de detalhe que parece pequeno, mas ajuda a entender o tamanho da virada. Ele era um garoto sem muito dinheiro, comprava poucos discos e cada álbum adquirido precisava valer a pena. Quando Rocks entrou em sua vida, não foi apenas mais um disco pesado na coleção. Foi um daqueles encontros em que a música muda o foco do sujeito, inclusive quando havia uma garota interessante no mesmo cômodo, o que para um adolescente não é exatamente pouca coisa.
Curiosamente, a primeira vez que Slash viu o Aerosmith ao vivo não confirmou essa imagem. Ele assistiu à banda em 1978, no World Music Festival, em um evento de dois dias com várias atrações. No primeiro dia, estavam Ted Nugent e Cheap Trick como nomes principais; no segundo, Aerosmith e Van Halen. A expectativa era enorme, mas o resultado foi outro.
"E o Aerosmith foi horrível! Reconheci apenas uma música em todo o repertório. Era apenas uma grande quantidade de barulho. Aquilo me desapontou. Esperava que fossem mais profissionais", contou Slash. O detalhe é que ele viu o grupo em uma fase bastante complicada, quando os problemas com drogas já afetavam diretamente a performance de Steven Tyler, Joe Perry e companhia.
O próprio Slash reconheceu depois que não entendia o que estava acontecendo. "Eu não sabia que um bom show do Aerosmith era algo raro na época. O Van Halen detonou com eles. Só que eu era tão inocente. Via Steven Tyler caindo no palco e pensava: 'uau, esse cara deve ser desajeitado'. Não tinha ideia que as drogas estavam envolvidas."
Mesmo com essa decepção ao vivo, o Aerosmith continuou sendo uma referência central para ele. E aí entra o disco que Slash trata como o grande registro de rock and roll em cima de um palco: "Live! Bootleg", lançado em 1978. O álbum reunia gravações de diferentes shows e trazia músicas como "Back in the Saddle", "Sweet Emotion", "Walk This Way", "Dream On", "Toys in the Attic" e "Mama Kin".
Slash lembrou que conheceu "Walk This Way" pelo rádio antes mesmo de entender exatamente quem era o Aerosmith. Então o "Rocks" virou sua cabeça. Em seguida, ele foi atrás de "Live! Bootleg", e o impacto foi imediato. "Depois comprei o 'Live! Bootleg' porque tinha todas as músicas mais conhecidas deles. Eu amo esse disco. Para mim, é o álbum ao vivo de Rock'N'Roll por excelência de todos os tempos, é incrível! A partir daí, comprei todos os discos do Aerosmith", afirmou Slash.
A escolha combina com a própria formação musical do guitarrista. "Live! Bootleg" não é um disco ao vivo limpo, perfeitamente polido ou feito para esconder as bordas da banda. Ele tem justamente aquela cara de documento de época, com energia, sujeira e a impressão de que o Aerosmith ainda carregava o perigo e a instabilidade que marcaram sua fase clássica. Para Slash, que depois ajudaria a levar esse tipo de rock de volta ao centro do jogo com o Guns N' Roses, o disco parece ter funcionado como uma aula prática: guitarra na frente, banda no limite e um pouco de caos onde muita gente tentaria passar verniz.
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